“What About Now”, Bon Jovi (2013)

Sempre que o Bon Jovi lança um novo álbum de estúdio, um panorama se repete. Uma enxurrada de apoio contrasta com uma série de desapontamento geral, de boa parte de seus fãs que, ano após ano, sonham com um retorno à sonoridade hard rock que marcou a banda nos anos 80. O debate reaquece, posições são defendidas de forma apaixonada e tudo se esvainece até o lançamento seguinte. Enquanto isso, a banda fatura horrores em vendas de CD’s, shows, festivais e exposição de sua imagem.

Dessa vez os debates devem reaquecer de forma mais intensa, pois “What About Now”, 12o disco de estúdio da banda, é provavelmente o trabalho mais pop da banda. Em uma estrutura homogênea, a banda condensa elementos dos trabalhos da última década para buscar uma fórmula não apenas acessível como direta. Não é preciso ouvir além do primeiro refrão para entender a mensagem de qualquer canção de “What About Now”. De certa forma, isso não representa grande mudança frente a seus trabalhos mais clássicos, que reserva ao lirismo ou ao politicismo poucos porém preciosos espaços. A estrutura também não é diferente dos trabalhos imediatamente anteriores, então de forma alguma o álbum apresenta qualquer indício de mudança.

O problema de “What About Now” é quando o disco se utiliza dessa homogeneidade e familiaridade com o único objetivo de buscar o grande single ou a canção a ser cantada por todos em um show. Em alguns momentos, dá certo, como nos singles “Because We Can” e a faixa-título, e “I’m With You”, “Amen” e “Army of One”. Mas quando a intenção não dá certo, fica a impressão de que canções medianas foram esticadas ao máximo pra funcionar. O álbum se torna desinteressante, deixando o ouvinte ávido por algum momento que não seja uma tentativa de criar um refrão que gruda na cabeça.

O álbum, mais uma vez, está centrado na figura de John. Dono do primeiro contato que a banda recebeu lá pelos idos do século XX, talvez a liderança na definição de rumo esteja enfim exercendo efeitos negativos. Richie Sambora, um dos guitarristas mais respeitados no ambiente musical, simplesmente não aparece no disco. Quando dá as cartas, mostra solos curtos, sem inspiração, para logo desaparecer na parede de guitarras rítmicas que permeiam todo o disco. David Bryan, quando aparece, torna “Army of One” uma das melhores do disco, mas também se mantém discreto. Tico Torres fica completamente sem espaço para fazer algo além da tradicional batida. John é um grande compositor, possui uma voz capaz de sustentar todo um clima de uma canção – sua voz carrega sozinha (e muito bem) a balada “Amen”. Mas quando ela tenta carregar sozinha o disco, tendo os outros elementos apenas como coadjuvantes, o resultado é uma espécie de disco solo pouco honesto.

Como uma empresa altamente lucrativa, o Bon Jovi deve continuar agregando novas pessoas ao seu redor com seu último disco. É verdade também que a banda atingiu o status de não dever mais nada à ninguém: é livre para fazer o som que quiser. Mas fica a torcida para que algumas coisas se ajustem e que o próximo álbum traga ao menos um Bon Jovi com membros mais participativos e um pouco mais livre para fazer algo além de um conjunto de singles.

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