Rock In Rio 2013 – Como Estamos e Projeções

Há pouco mais de meia década o Brasil vive um período mágico de valorização de seu mercado interno, levando diversas bandas a excursionarem pelo país, seja com uma apresentação única em um grande estádio ou visitando diversas cidades em lugares menores. Foi-se o tempo em que o país parava para ver a Madonna. Ou que emissoras de televisão compravam direitos de um show do U2 e o promoviam como um grande acontecimento. Hoje é tão normal uma grande estrela se apresentar no país que a coisa está quase banalizada – afinal de contas, se não der nessa turnê, fica pra próxima.

Contudo há um festival que vai na via contrária a da banalização – o tradicional Rock In Rio. Em um momento de tantos festivais acontecendo ao mesmo tempo, é o Rock In Rio aquele cujas atrações são anunciadas pelo jornal nacional, é aquele cujas transmissões são feitas com um grande hype. Seu caráter tradicional alia-se com sua ampla diversidade (qual outro festival reúne Cláudia Leitte com o Metallica?) dividem opiniões e lotam a internet de discussões que promovem o festival. Após o grande sucesso de seu retorno em 2011, nos foi prometido um festival a cada 2 anos. E como está esse de 2013 até o presente momento?

– De cara, há algo bastante diferente em relação ao mesmo período do festival de 2011. Naquele ano, as vendas de ingressos começaram com praticamente todas as atrações definidas – Nesse, o pessoal vai ter que correr muito pra divulgar tudo a tempo das vendas em Abril. A não ser que esteja acontecendo uma estratégia de revelação de nomes em uma única data definida (o que é pouco provável), parece que nesse festival há certa dificuldade de fechar alguns nomes. Ainda há muitas datas vazias e, faltando 200 e tantos dias para o Festival, uma divulgação tardia do line-up só atrapalharia o próprio público do RiR.

– Pelo que está desenhado (você encontra o line-up até aqui em http://www.rockinrio.com.br/pt/live/lineup.html), o festival de 2013 terá uma montagem semelhante à de 2011. Uma abertura pop algumas noites mais pop/rock – até agora a parte mais misteriosa do festival – uma noite de metal com o Metallica, e um encerramento a lá “Guns n Roses”, também voltado pro lado pesado, mas agora com o Iron Maiden.

– O Palco Sunset – enorme surpresa do festival de 2011 – precisa ser mais valorizado, pois sua temática de promover encontros muitas vezes roubou a cena do palco principal… Penso também que ele poderia ser utilizado para promover grupos nacionais e internacionais novos, revelações, daqueles que atraem um grupo pequeno, mas fiel.

– Sugestões – 

1. O Rock In Rio 2013 ainda carece de dois headliners… Eis uma lista de artistas que estarão em plena atividade em 2013 e que poderiam preencher adequadamente esse requisito:

– Bon Jovi: John Bon Jovi e companhia não só anunciaram novo álbum a ser lançado em Março agora como já iniciaram uma nova turnê. Anunciaram shows no Brasil, mas ainda não há data. As datas registradas no site da banda também não vão muito longe. Considerando que o Bon Jovi ainda sofre do nariz empinado de muita gente, uma apresentação visceral e apoteótica no Rock In Rio faria muita gente ver o real tamanho da banda.

– Eric Clapton: Clapton tem estado mais discreto nos últimos anos, até por sua idade mais avançada, mas alguém conseguiria pensar em um headliner maior ainda? Só se revivessem os Beatles ou se convencessem os praticamente aposentados Rolling Stones para tocarem por aqui.

– Green Day: O Green Day é aquele tipo de banda que ocupa o perfeito papel (raro) de banda que já tem lastro, história, mas ainda mantém um certo senso de jovialidade e ineditismo em sua música. Um leigo que veja a banda tocar nunca diria que a banda tem mais de 20 anos de existência, daria uns 10 anos no máximo. A trilogia “Uno” “Dos” “Tres” embalaria os mais jovens e “Dookie” embalaria os mais velhos. Perfeito.

– Linkin Park: O Linkin Park já veio no ano passado fazer alguns shows por aqui, mas o que me faz considerar-los como sugestão foi a brilhante apresentação no RiR Lisboa do ano passado. Com um repertório forte e que atrai a simpatia de muita gente que devorava seus álbuns no início da década passada, não seria nenhum absurdo considerar o Linkin Park como headliner.

– David Bowie: Agora nós iremos sonhar com todas as nossas forças, pois não há nenhuma chance disso acontecer. Mas, se acontecesse, seria lembrado como o Queen em 1985.

– Outras boas sugestões (justificaremos as que talvez precisem de uma justificativa) –

– Dido (Palco Sunset)

– Adele (Mundo – pouquíssimo provável, mas…)

– Alceu Valença (Mundo – brilhou em 1985, e Zé Ramalho foi muito bem no SWU 2011).

– Apanhador Só (Sunset)

– Beady Eye (Sunset)

– Cícero (Sunset)

– Humberto Gessinger (Mundo – Eterno vocalista dos Engenheiros do Hawaii, tem história no festival e muitos fãs fiéis que, sim, justificariam a escolha para o Palco Mundo)

– Esteban (Sunset)

– Franz Ferdinand (Mundo – encaixaria ali pertinho do Muse).

– Gabriel, o Pensador (Mundo – se colocaram o D2 no mundo em 2011…)

– Jack White (Mundo)

– Joss Stone (Mundo)

– Justin Timberlake (Mundo)

– Lobão (Sunset)

– Matanza (Sunset)

– Norah Jones (Mundo)

– Plebe Rude (Mundo – bastante ousada essa, mas a Plebe mereceria essa exposição).

– Gylenne Tyler (Sunset)

– O Que NÃO Queremos Ver no RiR 2013 –

– Shows Nacionais repetitivos: em 2011 tivemos ótimos shows nacionais, cheios de energia. Mas, ao mesmo tempo, foram alvo de críticas – justas – de que não traziam nenhuma novidade, nenhuma inovação. O show do Skank é emblemático nessa questão, pois mesmo a ordem das canções não muda com o passar dos anos, jogando água no chopp dos fãs das bandas e dando munição para quem acha que só música de fora presta. Acho que os shows nacionais precisam de mais destaque no festival, mas ao menos a ordem das canções deve ser mudada.

– Line-ups mal casados: em 2011, diversas bandas sofreram por estar em horários e dias não-apropriados para sua música. Aliás, isso é notório na história do frstival (alguém se lembra do tanto de coisa que voou em cima de Carlinhos Brown num dia de Iron Maiden?). Claro que a coisa é muito mais complexa do que imaginamos, pois envolvem as bandas com quem você consegue acertar, mas o festival deve dar uma boa olhada nisso (e, nesse aspecto, parece evoluir bem, visto o pouco já organizado está bem amarrado).

– Atrasos: já é complicado ficar em pé, se privar de comida e encarar o empurra-empurra por mais de 12 horas para ver todos os shows, e fica mais ainda quando alguns artistas resolvem desrespeitar o público com atrasos. A coisa fica mais feia ainda quando circulavam boatos de festinha no camarim de Rihanna enquanto o público a esperava e de perda de vôo da parte de Axl Rose. E palco molhado é uma desculpa fraca, embora obviamente exiga certos cuidados da administração.

– Escape das filas para alimentação: Claro que é complicado evitar filas em um local com mais de 70 mil pessoas famintas, mas não pode em um festival uma pessoa esperar quase duas horas para comer. É preciso aumentar o número de estabelecimentos e espalhá-los por todo o local – praça de alimentação serve apenas para dar uma ilusão de organização.

– Críticas: “Ahhh, mas o Rock in Rio é ROCK, o que fulano do axé está fazendo ali?”. Nada mais ultrapassado e chato do que ouvir a mesma ladainha de sempre, não é?

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