Plebe Rude em Brasília (25/01/2013)

Plebe Rude é uma das bandas que, junto com Biquini Cavadão, parecem ter sua importância subjugada frente a seus colegas mais bem-sucedidos financeiramente. De certa forma, a própria carreira da banda acabou prejudicando a necessidade de continuidade nos holofotes tão necessária a carreira de um artista, pois além dos poucos discos (apenas 6 em mais de 30 anos de carreira), há uma pausa que ocupou boa parte da carreira da banda. Foi com esse tipo de pensamento que deixei o show da Plebe em Brasília no dia 25 de Janeiro, data em que os Correios promoveram um festival em 5 capitais em comemoração ao seu aniversário de 350 anos, algo incomum num país de instituições e leis tão recentes como o Brasil. A Plebe também é longeva, e é bom saber que seus efeitos ainda se fazem sentir.

Se fazem sentir primeiro em um público fiel, vestindo a camiseta da banda quase que como um uniforme, com todas as letras na ponta da língua. Se faz sentir também no enorme carisma dos integrantes da banda – que driblaram o desconhecimento de algumas faixas do público com brincadeiras e interações ensaiadas que, de tão bem feitas, driblaram a rigidez costumeira de manifestações desse tipo, parecendo realmente imprevistos.

Por fim, na postura de suas músicas. A Plebe é uma banda para rebeldes, no melhor sentido do termo. É incrível a força e presença que os hits “Proteção” e “Até Quando Esperar” ainda possuem, fazendo com que literalmente milhares de pessoas se curvem às vontades da banda. As baladas são ótimas, as canções de amor também, mas é quando levanta a questão da política e da fragilidade das instituições brasileiras que a Plebe se destaca. Sob o luar de Brasília, Phillipe Seabra lembrou o dia em que Os Paralamas tiveram uma canção censurada em pleno ano de 1995, sendo ameaçados até de prisão caso tocassem a canção em Brasília. Herbert acatou a decisão, mas tocou “Proteção” no lugar, mantendo assim a sua intenção inicial de bater de frente com o legislativo ofendido. Após contar a história, Seabra emendou os versos de “Selvagem”, canção dos Paralamas que, assim como as dele, ainda mantém um assustador indício de atualidade.

Phillipe também lembrou a Legião com “Geração Coca-Cola”, em uma versão assustadoramente pesada e adequada para a canção. Renato Russo ficaria comovido. Lembrou a estréia do filme “Somos Tão Jovens”, que retrata a famosa “turma de Brasília” e emocionou a todos com “Até Quando Esperar?”, que encerrou o show dando aquele ótimo tom de quero mais. A Plebe mostrou nesse dia que não só pode rachar o concreto, como também pode manter viva a memória musical brasiliense e levar aquele sentimento para a sua platéia em pleno século XXI.

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