“Live 2012”, Coldplay (2012)

Quando lançou o seu primeiro álbum ao vivo, 9 anos atrás, o Coldplay era uma banda com dois discos lançados que se candidatava a uma das maiores daquela década. Em tempos onde prevalece a superioridade do clássico em relação ao contemporâneo (e em que outra época foi diferente), os acordes de Clocks, Yellow, The Scientist, Trouble e outras pareciam mostrar que era possível que uma banda contemporânea pudesse superar a volutibilidade das rádios e dos fãs transitórios para para alcançar a consistência de sua carreira e a oportunidade de atravessar gerações.

9 anos depois, o Coldplay volta a apresentar um filme que mostra uma banda que vai muito além daquele espírito forte e dominante que aparecia no vídeo anterior. O Coldplay não só conseguiu renovar sua obra – a maioria das faixas são de Mylo Xyloto (2011) – como sabe bem aproveitar a força de sua obra clássica (já podemos considerar assim?), fornecendo um ótimo equilíbrio entre o novo e o conhecido. Diferentemente do vídeo anterior, aqui há uma compilação de diversos shows realizados ao longo da turnê do disco citado, intercaladas por mini-documentários que exploram as mais diversas facetas da vida de uma banda, desde as loucas corrias até o cansaço e o sofrimento de estar distante quando os filhos estão doentes no hospital. Normalmente, filmes assim distorcem e comprometem a força da apresentação no palco, mas aqui tudo parece funcionar bem sem quebra de ritmo.

A seleção aleatória também ajudam nas performances. Se Yellow era um clímax dificilmente superável em “Coldplay Live 2003”, a Yellow daqui supera todos os limites em relação a força, intensidade e emoção. As outras faixas são bônus, só essa performance já vale a compra. O visual também impressiona, tanto pelo palco meio extravagante meio minimalista quanto pelo público apaixonado, que canta todas as canções enquanto balançam suas fitas que brilham no escuro.

O repertório é recheado de singles e canções do último disco e, de certa forma, não poderia deixar de ser diferente. Mas mesmo assim faz falta para os fãs mais antigos algumas pérolas de outras épocas, além de uma certa flexibilidade que a banda sempre trouxe ao longo de suas turnês, como covers de Kylie Minogue. Apesar de seu sucesso monstruoso, “Viva La Vida” só é representado pela canção-título e por Violet Hill. O esquecido X&Y têm apenas “Fix You” e “Yellow” é a única representante do álbum de estréia. A exceção, claro, é “A Rush Of Blood To The Head”, que atua no papel de catalisação do show, em modelo explicado acima. O Coldplay respeita sua obra, mas claramente olha para o presente e para o futuro.

O aspecto negativo fica com a mixagem. O disco é notoriamente baixo, forçando o ouvinte a aumentar o volume do som para ter a mesma força que outro disco ao vivo bem mixado. Talvez tenha havido certa pressa, ou a mixagem pode ter sido prejudicada pelas diversas condições típicas de um processo de gravação que passa por vários lugares. O direção sonora, contudo, é muito bem desenvolvida, pois diversos efeitos sonoros inexistentes nas performances do último Rock In Rio estão lá.

“Coldplay Live 2012” é um potente exemplo do papel que a banda atingiu hoje em dia, deixando de ser exclusividade de um grupo de pessoas para abranger diversos públicos e, quem diria, virar tendência. Afinal de contas, não é qualquer banda de rock que consegue tocar nas rádios mesmo com a dominância do pop radiofônico e do hip hop.

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