Esteban – ¡Adiós Esteban! (2012)

Rodrigo Tavares têm ocupado bastante espaço na mídia atualmente. Sua saída da banda Fresno, onde atuou como baixista por vários anos, foi motivada por uma vontade de se dedicar a fundo ao seu projeto solo, “Esteban”. Há um bom tempo Tavares têm feito shows Brasil afora com um grupo de canções pessoais, mas os extensos compromissos da Fresno o forçou diversas vezes a adiar o seu projeto. Agora livre, Tavares decide lançar de forma independente um conjunto de canções já conhecidas para um seleto grupo. Mas inéditas para diversas pessoas fãs e não-fãs de sua antiga banda. Nesse sentido, “¡Adiós Esteban!” é um conjunto entre o novo e o velho, e certamente as opiniões e reflexos de seu público tem passado sob o seu filtro.

Embora Tavares tenha deixado sua banda para priorizar suas canções e fazê-las serem ouvidas, é inevitável a comparação com a sua antiga banda, pois o trabalho é repleto de linhas melódicas semelhantes às da Fresno, consequência natural do fato de que Tavares era um parceiro de composição do vocalista Lucas Ferreira. A diferença está nos instrumentos e na identidade sonora. Enquanto a Fresno transita entre o hardcore pesado e baladas pop, o som de Esteban é, em certo sentido, mais relaxado, mais cadenciado. Suas canções possuem bases de piano ou riffs suaves de guitarra, acompanhados por um acordeon. As canções no clímax apóiam-se na melodia da voz, sem aumento de volume nem de força da estrutura musical, dando ao álbum uma atmosfera uniforme e agradável aos ouvidos. É possível também que o álbum canse quem gosta de ouvir mais variações de ritmos e de alturas do som.

as canções são todas pop, com toques suaves de blues e jazz. A influência dos Engenheiros do Hawaii (Tavares tem uma tatuagem do disco “A Revolta dos Dândis”, de 1987) se faz presente, especialmente a fase do início dos anos 90, com algumas vozes ao fundo pronunciando temas que dialogam com o tema das canções. Humberto Gessinger, inclusive, faz uma participação em “Sinto Muito Blues”, canção cujo título faz referência a um trecho de “Pampa no Walkman”, do disco GLM (1993).

Não há outras vozes de backing vocal (com exceção de “Muito Além do Sofá”, um dueto com uma voz feminina), a não ser as dele, e diversas canções, como “Muda” embaçam a voz de Tavares na tentativa de gerar um clima específico para as canções. É nesses detalhes que Esteban se debruça para tornar um trabalho interessante, cheio de pequenas sutilezas que torna a ouvida instigante.

“¡Adiós Esteban!”, assim, é um álbum que comprova que aquele baixista talentoso da Fresno também é um bom compositor e que tem tudo para se desenvolver e crescer como artista. Que ele se sinta livre cada vez mais para alçar os seus vôos da maneira que desejar. Tem tudo para agradar diversos ouvidos.

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