E os Hologramas?

Desde que o holograma do rapper Tupac apareceu no Coachella para um dueto com Snoop Dogg, o mundo dá música entrou em fervorosa. A tecnologia, que conseguiu criar um espectro perfeito da figura do falecido rapper – que até interagia com o público – que chegou a confundir muitas pessoas com uma pessoa real, convenceu muita gente de que seria possível realizar o sonho de muitas pessoas de ver determinadas bandas em um show, mesmo que aquilo seja apenas uma gravação. Opção tentadora, sem dúvida, afinal, quem nunca gostaria de ver show do Nirvana com a imagem de Kurt Cobain ali?

Desde então, os boatos se multiplicaram. Já falaram em reunir os Beatles vivos com os hologramas de John e George e realizarem uma turnê (antes mesmo do “episódio Tupac”, já falava-se numa apresentação nesse sentido no evento de lançamento do jogo “The Beatles Rock Band”. Janis Joplin, Kurt Cobain, Michael Jackson e Fred Mercury também já foram cogitados. Elvis deixou o campo dos boatos para o concreto, pois preparam uma turnê mundial com seu espectro (e mesmo que ela não aconteça, já circula há um tempo um espetáculo em que banda e um Elvis em vídeo se apresentam para o público). Aqui no Brasil, já se fala seriamente em inaugurar o novo Estádio Nacional de Brasília com um holograma de Renato Russo. É pouco provável que todos esses planos venham a acontecer, até porque essa proliferação de boatos é uma forma de testar a aceitação do público, mas certamente tem muita gente trabalhando para que ao menos um desses artistas voltem a produzir dinheiro com turnês.

Até que ponto isso é legal? Na opinião do blog, o episódio isolado do Tupac foi uma digna homenagem ao rapper assassinado em 1997, afinal, fez parte da apresentação de um artista ainda vivo, o Snoop Dogg. Outra coisa, no entanto, é uma apresentação inteira de um holograma pois, embora vista a ideia de presentear quem nunca viu determinados artistas ao vivo, esse tipo de apresentação parece mais um espetáculo do que algo que prioriza o caráter humano.

Explico: ao ouvir uma canção, comprar um disco ou tocar no seu violão, estamos lidando com sons e vozes. Procuramos imagens no google, assistimos clipes, aprendemos os nomes dos integrantes, e aos poucos vamos conseguindo informações. Mas não tem como dizer que nós conhecemos aquele artista: ele continua sendo apenas uma voz com algumas informações.

Quem nunca foi em um show e se pegou pensando “meu Deus, ele é uma pessoa de verdade!”. Você vai prestando atenção nas rugas no rosto, no gel do cabelo, no olhar, na barriguinha saliente, na maneira como sorri. Aquela voz com informações, de forma mágica, se transforma em um ser humano real. Mesmo os pequenos errinhos que às vezes acontecem em alguns shows ajudam a tornar mais fascinante esse aspecto humano. Eles erram também.

É isso que os hologramas não conseguem dar. Por mais que eles possam oferecer a tentação de ver esse ou aquele artista quando antes não era possível, ainda será impossível ver as rugas, o tipo de cabelo, as marcas na pele, o olhar. Um show sem a melhor coisa que um show pode oferecer: apresentar o ser humano.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s