Revisitando um Clássico – “The Number of The Beast”, Iron Maiden (1982)

Se tem uma década dourada para o heavy metal, sem dúvida essa foi a década de 1980. Com seus cabelos grandes, letras agressivas, riffs rápidos e pesados e cara de mau, diversas bandas do gênero viram-se alçadas ao cume do sucesso, transformando-se rapidamente em referências de um estilo que, na década anterior, apenas ganhava musculatura. Não importa se a origem do heavy metal passou pela guitarra presente e vibrante de Jimi Hendrix, ou pelos riffs sombrios de Tomi Yommi (Black Sabbath), ou até mesmo por Jimmy Page (Led Zeppelin). Talvez a maneira como a guitarra, esse instrumento que apenas temperava o blues e que ainda caminhava para as distorções, tenha fascinado tantos jovens que, de repente, ela se tornou suficiente. Linhas melódicas, saxofone, bandolim, nada disso importava mais. Para toda uma nova geração, o que interessava era ter ao menos uma guitarra ali, plugada no volume máximo e causando dor de ouvido com riffs cortantes.

O heavy metal (ou apenas metal, como outros apontam), assim como o próprio rock, é bastante diverso. Temos o trash que nasceu nos becos escuros do oeste americano, o black e death metal que tem até hoje na cena escandinávia sua maior força, mas certamente nenhum se tornou tão simbólico como o “New Wave of British Heavy Metal”, e seus dois principais representantes  – O Judas Priest (embora esse tenha sofrido uma queda de popularidade na década de 90 pra frente) e o, esse sim mais majestoso do que nunca, Iron Maiden. A donzela de ferro (como é chamada pelos fãs) já era um grande nome na Inglaterra, mas se tornou algo muito maior depois que Bruce Dickinson tomou os vocais e se tornou uma das vozes símbolo do gênero.

“The Number of The Beast” é também controverso, pois talvez seja a primeira vez em que a associação entre música e demônios tenham chegado ao mainstream. Tanto o Iron quanto o Judas Priest foram execrados pelo conservadorismo americano, que atribuía as referências uma parte que definia o todo, bandas que receberam o rótulo de satânicas. pais proibiram filhos de ouvir, CD’s foram queimados em praça pública, autoridades alertavam em telejornais sobre a rebeldia sem causa da juventude. O tempo dos hippies já haviam passado, dando lugar ao conservadorismo da era Reagan, e o “paz e amor” e hedonismo foram novamente jogado para a escuridão. Brincando com conceitos não-comuns na música em geral, o Iron Maiden capitaneou uma onda de desgosto, discussão e adoração. “Number of The Beast” não foi apenas um fenômeno fonográfico (nem precisamos afirmar que as vendas foram astronômicas), mas também, junto com suas repercussões, foi um fenômeno sociológico.

Mas não é apenas a polêmica que sustentou o álbum. A pegada do Iron Maiden ainda soa irresistível 30 anos depois, com clássicos como a faixa-título, “Hallowed Be Thy Name”, “Run To The Hills”, “22 Acacia Avenue”, “Children of The Dammed” e “The Prisoner”. 6 canções citadas, num total de oito. Pelo menos “Number of The Beast” já foi ouvida por qualquer apreciador de música. É muita coisa para uma banda nascida das raízes de um estilo tão difícil para um “outsider” como o metal. “Number of The Beast” certamente se aproveitou da polêmica em torno de seu nome, mas é inegável que se sustenta pela sua música.

O álbum também ganha o status pioneiro de um período dourado para a banda britânica. “Piece of Mind” (1983), “Powerslave” (1984), “Somewhere In Time” (1985) e “Seventh Son Of A Seventh Son” (1988) são até hoje considerados pelos fãs os melhores trabalhos da banda. O resto pode ser questionado (assim como todo trabalho posterior ao clássico de qualquer banda), mas mesmo que a banda decidisse não produzir mais nada, ainda conseguiria se sustentar só com esse material.

Hoje o Iron Maiden continua por aí, fazendo turnês quase todos os anos, curtindo o seu material clássico e também brindando os fãs com coisas novas e diversos álbuns ao vivo. Conseguiram atingir aquele status de banda veterana, clássica, adorada, respeitada. Novamente, isso não é pouca coisa para um estilo tão difícil para quem é de fora.

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