Discografia – Titãs (parte 3)

Seguimos com a série de textos sobre a discografia dos Titãs, banda que completa 30 anos de existência nesse ano, e que, sem dúvida é um dos grandes nomes não só do B-Rock, mas também da música popular brasileira. Os discos a seguir fizeram parte do chamado “segundo período dourado” da banda, que conseguiu recuperar toda a popularidade e apoio da mídia perdidos durante a primeira metade da década de 90.

Domingo (1995)

“Domingo” é o primeiro resultado de uma reunião ocorrida após longas férias, onde alguns membros (Paulo Miklos e Nando Reis) aproveitaram para lançar trabalhos solos, o que gerou uma certa especulação acerca do fim da banda. “Domingo” é uma nova curva brusca na sonoridade da banda, marcada pelo pelo e pelas letras entre o vulgar e o non-sense que marcaram os dois últimos trabalhos. Se os Titãs foram vistos na primeira metade dos anos 90 quase como “malditos” pela mídia especializada, a vertente mais pop e diversificada de “Domingo” trouxeram certo público e apoio de volta, embora ainda reticente.

O grande destaque é a música-título, um rock bem mais suave em comparação à “Titanomaquia” (1993), mas também diferente em relação à produção dos anos 80. “Eu Não Aguento” remete à sonoridade dos anos 70, se tornando uma das faixas mais diferentes e interessantes de todo o catálogo do grupo. As outras faixas, em geral, mantém a qualidade do disco, embora o excesso de faixas acaba por provocar certo desinteresse e cansaço do ouvinte (problema que acontece também com “A Melhor Banda De Todos os Tempos da Última Semana”, de 2001). Mas “Domingo” cumpriu a sua função e foi o álbum da banda com melhor vendagem dos anos 90 até o furacão que seria o álbum seguinte.

 

Acústico Mtv (1997)

Em tese, “Acústico Mtv” seria comentado junto com os demais discos ao vivo do grupo, mas a importância desse álbum exigiu sua posição em um lugar de destaque. Não seria exagero dizer que o acústico dos Titãs deu início à febre de shows desplugados que se arrastou até a segunda metade da década seguinte. O show gravado é um portfólio de toda a discografia da banda até então, deixando de lado algumas escolhas óbvias para dar lugar a canções como “Nem 5 Minutos Guardados”, “Hereditário” e outras. Algumas canções mais famosas, como “Diversão”, “Comida” e “Flores” ganharam arranjos reformulados, que conseguiu dar um ar fresco às canções tanto para banda quanto para o público. É preciso destacar também a qualidade das canções inéditas (“Não Vou Lutar” e “Cegos do Castelo”). Se o álbum anterior representou um enorme passo rumo à volta da popularidade, “Acústico Mtv” levou o nome da banda à estratosfera e é, até hoje, o “Acústico Mtv” mais vendido e mais reverenciado. Seguindo a regra tradicional do “não se pode agradar a todos”, o trabalho contudo, decepcionou parte do público entusiasta da sonoridade mais pesada da banda.

 

Volume Dois (1998)

“Volume Dois”, em certo sentido, é uma coletânea da banda, em outro não. ainda contaminada pela febre do acústico, a banda decidiu rearranjar alguns de seus clássicos, mas dessa vez na forma plugada e em um álbum de estúdio. Gozando agora de livre acesso dentro da mídia, o grupo fez uma regravação de “É Preciso Saber Viver” de Roberto Carlos, versão que talvez é mais conhecida que a própria gravação original. Embora seja um disco bacana para o fã, “Volume Dois” não passa nenhuma novidade em si para o público mais geral, o que fez com que o disco, de forma paradoxal em relação ao sucesso da banda, ocupasse apenas um lugar discreto na discografia do grupo.

 

As Dez Mais (1999)

“As Dez Mais” talvez seja o disco mais malhado e mau-visto pelos fãs do grupo. Obrigado a lançar um trabalho por obrigações contratuais, e preso na enorme turnê do “Volume Dois”, o grupo decidiu adiar o projeto de um novo álbum de composições inéditas para fazer regravações de clássicos da música nacional. “As Dez Mais”, assim, é o terceiro capítulo de uma trilogia de rearranjos que os Titãs fizeram. O trabalho não foi bem aceito por fãs e imprensa, que o acusavam de ser oportunista, e esgotou a paciência de quem esperava um trabalho inédito do grupo. As versões, com algumas raras exceções, são todas descartáveis, o que inflamou mais as críticas que a banda começou a sofrer. “As Dez Mais”, assim, representa um fim do segundo período dourado dos Titãs, que agora precisavam se desvencilhar das críticas e do peso do “Acústico Mtv” para dar um novo rumo à carreira.

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