A Moda dos Álbuns Completos

O Green Day anunciou hoje que irá tocar “Dookie” (1994), sua obra-prima, no Reading Festival, que será realizado no dia 25 agora. O evento foi escondido até o último momento, tanto que a banda não tocará no palco principal, mas sim no mesmo ambiente que outras bandas menores.

Recentemente, o Metallica realizou uma turnê em que tocava o “Black Album” (1991) na íntegra, de trás pra frente. A moda também está a todo vapor aqui em terras tupiniquins, com RPM, Ultraje A Rigor, Titãs, Paralamas, Skank, O Rappa e outros grandes nomes tocaram os seus álbuns-referência seja em mini-turnês ou única apresentação. Todos os anos as lojas são inundadas por remasterizações de clássicos da música mundial, em embalagens digipack com extras, lados-B e versões demo de algumas canções. É inegável que o culto a discos antigos têm ganhado grandes proporções nos últimos tempos.

Embora, é importante afirmar, esse tipo de ação já acontecia há certo tempo. Em 1994, a encarnação final do Pink Floyd, em turnê do disco “The Division Bell” (1994), tocou “The Dark Side of The Moon” (1973) na íntegra em algumas apresentações aleatórias. A banda não avisava quais apresentações seriam premiadas, e o público sempre se carregava de expectativa momentos antes de cada apresentação, algo que sempre acontece em apresentações desse tipo.

Para tentar explicar esse fenômeno, muitos críticos chegaram a afirmar que esse tipo de ação reflete a falta de novas referências e grandes discos nos últimos tempos, tanto das bandas mais recentes quanto das mais antigas, fazendo com que público e banda voltassem suas atenções para o que foi feito décadas atrás. O objetivo desse texto é apontar exatamente o contrário, pois esse tipo de ação valoriza o conceito de álbum em um contexto de crise no mercado fonográfico.

Desde o advento da internet e dos programas de compartilhamento, a prática de escutar a música isolada em detrimento do conjunto de canções que formam um álbum fez com que as vendas de álbuns caíssem, mas, por outro lado, abriu as portas para novas canções que dificilmente se teria acesso somente com a forma física. Aos poucos a indústria vai se adaptando, com o mercado de venda de música legal como o iTunes. Em plena era do MP3, as bandas encontraram um meio de apresentar a toda uma nova geração o conceito de álbum, a sucessão entre as faixas, a importância de um contexto e de uma forma por onde as canções foram originalmente apresentadas. O que acontece nos palcos reflete nas remasterizações de discos na loja, o que sem dúvida serve pra provar que o modelo de álbum está longe de desaparecer.

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