Coldplay – X&Y (2005)

Em 2005, o Coldplay já gozava de grande popularidade, embora ainda não estivesse no patamar dos dias atuais, fazendo-me acreditar que, das bandas mais recentes, é sem dúvida o grande nome do momento, conseguindo adentrar nas rádios em um contexto onde apenas o pop de auto-tune, hip hop e, no nosso caso, o sertanejo são contemplados. A banda sempre recebeu e recebe críticas, mas é inegável o fato de que o Coldplay há muito deixou de ser uma boa promessa para se tornar uma banda grande de fato, agradando filhos adolescentes e pais quarentões. E, embora muitos se lembrem de “A Rush Of Blood to The Head” (2002), “Viva La Vida or Death And All His Friends” (2008) e mesmo de “Mylo Xyloto” (2011), talvez o álbum mais bem trabalhado em se tratando de homogeneidade sonora seja o quase esquecido “X&Y” (2005).

Digo esquecido porque, embora as canções do álbum tenham tocado bem, apenas “Fix You” se mantém nos shows da banda e o sucesso avassalador do álbum seguinte o engoliu. Em certo sentido, é possível dizer que “X&Y” é um injustiçado, típico caso de um álbum de sucesso mediano que entra no esquecimento quando o seu sucessor explode. Sem dúvidas há certa parcialidade e mesmo ousadia no que afirmo aqui, o que é inevitável devido ao meu imenso carinho pelo talvez mais pesado álbum do quarteto britânico.

Embora seja justo dizer que “X&Y” é o álbum mais pesado da banda, essa concepção só é possível de ser feita com um vôo paronâmico na discografia da banda, e não a partir de um conceito absoluto e desprovido de contexto. O ponto aqui não é entregar um riff explosivo pontuado por uma bateria seca e pesada. O peso aqui se dá pelas letras questionadoras, os loops de guitarra, o baixo pulsante, e a atmosfera criada por essa combinação. Esse tipo de efeito é emblemático no final de “White Shadows” e na faixa-título. Na primeira, a morte dos instrumentos dá lugar a um imponente teclado, que não apenas mantém o clima da faixa como também dá um peso para as demandas de Chris Martin. Na segunda, uma linha vocal melódica e lenta é acompanhada por uma estrutura pesada, formando um interessante contraste. “Speed of Sound” é uma das faixas mais bem trabalhadas do disco e da carreira da banda, com um trabalho de guitarra impecável e que enche a faixa. O peso de X&Y é aquele que abre mão do seco para se impor.

O ritmo do álbum é basicamente o mesmo em toda a gravação, com trechos mais calmos acompanhados pela parafernalha sonora da banda, alternando assim o suave com o pesado, o baixo com o alto. Claro que a bagagem da banda é sentida ao longo do disco: “Swallowed In The Sea” caberia tranquilamente em “Parachutes” (2000), “Low” remete ao caos de “A Whisper” de “A Rush Of Blood” e “Speed of Sound” chegou a ser acusada na época de ter uma estrutura parecida com “Clocks”.

O álbum, contudo, foi álbum de críticas exatamente pelo seu caráter homogêneo e de sucessão entre o alto e o baixo, dando o aspecto de previsível e entediante para muitos. É o dilema clássico do artista: fazer um álbum homogêneo e ser chamado de previsível ou apresentar um cartel de variedades e correr o risco de perder objetividade (esse segundo, inclusive, foi o caminho tomado pela banda após “X&Y”).

“X&Y”, contudo, de fato sofreu de um grande problema, sendo o único álbum do Coldplay a não apresentar tantos candidatos a hits (ou ao menos canções que sobreviveram ao passar do tempo para continuar nos shows, com a exceção de “Fix You”). Essa tarja colocada em cima do álbum fez com que muitos dos novos fãs da banda passassem a ignorar o álbum. Contudo, como álbum “X&Y” continua um registro forte e equilibrado depois de tanto tempo, e pode sim ser considerado um dos grandes registros da década que se passou.

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