O Retorno do Planet Hemp

“Olha lá seu doutor, quem tá de volta na praça? PLANET HEMP, esquadrilha da fumaça”

Se tem uma banda brasileira que fez com que muitos pais de família arrancasse os seus cabelos, essa banda foi o Planet Hemp. Quando o disco “Usuário” (1995) começou a desaparecer das lojas, as letras que pregavam a legalização da maconha passaram a ser cantadas por quase todos os jovens, que lotavam os shows da banda e preocupavam os setores mais conservadores da sociedade. O Planet Hemp chegou a ser preso após uma apresentação em Brasília, sob a acusação de “apologia às drogas”. Até quando a liberdade de expressão pode ser utilizada? Certamente ninguém tem a resposta, mas o certo é que a mistura de rock com rap fez com que o grupo de Marcelo D2 e B-Negão se consagrasse como um dos principais nomes da cena dos anos 90.

O grupo encerrou suas atividades em 2001. Desde então, sempre tem sido especulado um possível retorno do grupo, embora os membros sempre negavam. em 2010, uma apresentação surpresa para a Mtv aqueceu os rumores de uma nova turnê, mas o anúncio só veio dois anos depois: com um show no Circo Voador (Rio de Janeiro) dia 28 de Setembro, em Porto Alegre no dia 29 e alguns outros poucos shows ainda não divulgadas. Sem turnê extensa, sem disco novo. Apenas algumas apresentações tocando o disco “Usuário” na íntegra.

O anúncio de certa forma confirma uma tendência em voga lá fora e que, com certo atraso, tem chegado aqui: as turnês de reunião de antigos grupos. Talvez a causa seja semelhante as de lá fora: a sensação de falta de novas bandas que consigam unanimidade, tornando-se assim super rentáveis, fazendo com que alguns empresários olhem para o passado atrás de antigas referências. Foi assim no início do ano com a mini-turnê do Los Hermanos, toda ela acompanhada de perto pela imprensa especializada. Também com a reunião dos Mutantes (sem Rita Lee) em 2006. Não nos esquecemos também do revival da Legião Urbana, com Wágner Moura nos vocais,e da promessa de algumas apresentações dos Titãs com os antigos membros (embora Nando Reis ainda não tenha confirmado participação). A falta de uma nova safra forte faz com que público e investidores vão atrás dos velhos produtos. E a tendência é de que mais grupos anunciem suas turnês comemorativas.

Em suma, o retorno do Planet Hemp, um grupo que foi polêmico na mesma medida em que foi bem-sucedido, pode ser visto como um exemplo do movimento que a indústria fonográfica faz para poder sobreviver à falta de uma nova unanimidade na cena pop/rock atual. Talvez isso sirva como pretexto para muitos de que passamos por um período negro, de baixa. Mas o que dá pra dizer com certeza é que o período de explosão na cena pop/rock brasileira e mundial ainda está por vir.

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