Discografia – Titãs (parte 2)

Segue a continuidade da da análise da discografia de uma das bandas vitais do rock brasileiro. Caso não tenha visto a primeira parte, clique aqui.

Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas (1987)

“Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas” encarou a tarefa de suceder “Cabeça Dinossauro” seguindo dois caminhos aparentemente paradoxais: seguir o padrão de canções com letras curtas, irônicas e pesadas do disco anterior. E também apontar a vela rumo a um som mais carregado de programações eletrônicas, algo apenas sugerido no disco anterior. O disco geralmente é apontado como obra-prima do grupo junto com “Cabeça Dinossauro”, e diversas canções viraram hits.

A canção-título segue a linha curta da canção “Cabeça Dinossauro”, uma sucessão de riffs de guitarra que sugerem perigo enquanto Nando Reis segue falando o título da canção. Outras mais complexas como “Comida” e “Diversão” louvavam o espírito rebelde de jovens que questionam a sociedade ao redor. “Corações E Mentes” também é um ótimo destaque, servindo como um bom exemplo do quanto o estilo de composição do grupo evoluiu.

Õ Blésq Blom (1989)

“Õ Blesq Blom” marcou a primeira das várias mudanças de sonoridade que o grupo faria como uma banda mainstream. Aqui há um retorno da proposta de “Televisão”, com canções de estilos variados convivendo entre si, passando pelo country em “32 Dentes” até a mistura indígena-eletrônica de “Miséria”, canção essa que foi bastante executada. “O Pulso” é um dos destaques desse álbum, junto com “Flores”, essa última um exemplo de como a banda pretendia soar pesado mas sem a sujeira que marca os dois últimos discos. Para muitos, “Õ Blesq Blom” encerra a chamada “fase de ouro” dos Titãs, ideia que pode ter sentido pelo fato de que esse é o último momento em que a banda tem um bom relacionamento com a imprensa e a crítica musical até 1997.

Tudo Ao Mesmo Tempo Agora (1991)

“Tudo Ao Mesmo Tempo Agora” é um disco azarado. Foi um passo importante para o grupo em termos de composição e produção, mas viu a luz em um período conturbado para o rock nacional. O sertanejo começou a dominar a programação das rádios e a crítica ratificava o fim da geração dos anos 80. Paralelo a isso, o momento conturbado da política e da economia brasileira, com o famigerado plano Collor e as denúncias de corrupção, reduziram significativamente a venda de discos, tornando o período difícil pra quase todas as bandas que se consagraram há alguns anos (talvez apenas os Engenheiros do Hawaii e a Legião Urbana passaram por esse período sem maiores complicações).

A sonoridade de “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora” foi duramente criticada por jornalistas musicais, que viam o som cru e quase punk da banda como infantil. As canções continham mais escarro do que nunca, com trechos como “Saia de mim como um peido, tudo o que for perfeito” (Saia de Mim) e “cheirar sua calcinha de menstruação” (Isso para mim é perfume). Os Titãs continuavam lotando shows, mas antes os queridinhos da mídia agora eram vistos como meros desordeiros que corrompem a cabeça dos jovens. O disco atualmente é quase ignorado, tamanha a pancada que sofreu. é também o último disco com Arnaldo Antunes.

Titanomaquia (1993)

“Titanomaquia” herdou a herança de seu antecessor, dando continuidade a uma espécie de litígio entre banda e mídia, com os últimos tratando de ignorar a banda e a primeira, disposta a brigar, tornando seus trabalhos cada vez mais perturbadores. “Titanomaquia” é de longe o disco mais pesado da banda, com 13 petardos que, em alguns trechos, parece romper com o rock para entrar no terreno do heavy metal. Embora também tenha sofrido, “Titanomaquia” se tornou uma referência em se tratando de som mais pesado no Brasil, sendo adorado por diversos fãs (e não-fãs) da banda.

O disco se desenvolve todo em cima de riffs pesados, vocais gruturais ou falados com letras que não fazem questão de fazer sentido ou que só querem causar um nó na cabeça do ouvinte. “disneylândia” certamente tem uma das letras mais inspiradas de toda a carreira do grupo, “agonizando” consegue passar a sensação de agonia ao ouvinte e “Nem Sempre se Pode Ser Deus” é um dos melhores momentos de Branco Mello como vocalista. O disco no entanto deixou Nando Reis, na época começando as suas colaborações com outros artistas, completamente sem espaço, cantando em apenas uma das faixas.

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