Discografia – Titãs (parte 1)

Em 2012, os Titãs completam 30 anos desde a sua formação, data que marca a longevidade de um dos maiores nomes do chamado “B-Rock”. Embora tenham possuído uma carreira cheia de altos e baixos, com canções legendárias e fracas, união, brigas e separação, o grupo produziu um catálogo que se tornou referência a todas as bandas que vieram depois. É difícil contar o número de clássicos que o grupo produziu, o que dá à banda o luxo de abandonar algumas canções e ainda assim produzir um set que atenda a um público bastante abrangente. Para celebrar a longevidade de uma banda sensacional, o blog publicará uma série de artigos com pequenas notas sobre cada um dos discos da banda. Claro, nada impede que os mesmos possam ser retomados em um texto de maior fôlego.

Titãs (1984)

O primeiro álbum do grupo enfrentou o desafio de apresentar um som coeso que satisfizesse uma banda formada por oito pessoas. O disco buscou referência na sonoridade eternizada pela blitz, um rock de caráter dançante desinteressado em transmitir peso. A má produção do disco, contudo, pode ter interferido no sucesso apenas mediano do disco. Embora “Sonífera Ilha” tenha tido boa execução, faixas como “Marvim” e “Go Back” só conseguiram cativar o público após serem trabalhadas mais na frente. “Querem Meu Sangue” (versão de um clássico de Jimmy Cliff, regravada por várias outras bandas nos anos 90) e “Balada Para John e Yoko” (versão de Beatles) também sugerem uma adaptação do repertório de covers de uma banda iniciante para fazerem parte ao limitado repertório da banda.

Televisão (1985)

“Televisão” foi o segundo de três álbuns previstos no contrato dos Titãs com a gravadora WEA, e o primeiro com o baterista Charles Gavin. O álbum buscou mesclar a proposta sonora mais descompromissada e pop do álbum anterior com uma espécie de conceito-chave, que levaria o leitor a imaginar que o álbum seria uma televisão e cada canção, um canal. Para isso, o grupo apostou em faixas bastante diferentes entre si, trabalhando em colaboração com Lulu Santos como produtor. A proposta, no entanto, não só se tornou fracassada (Lulu teve diversos atritos com o grupo) como também teve como resultado um álbum confuso, estranho, fraco. Apesar disso, algumas canções cresceram com o tempo, como a faixa-título, “Pra Dizer Adeus” e “Insensível”.

O álbum também teve azar de ser lançado pouco tempo depois de “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, do Ultraje a Rigor. Animada com o sucesso desse disco, a gravadora deslocou todas as suas forças na divulgação daquele álbum, deixando os Titãs e várias outras bandas iniciantes sem apoio. O grupo precisava de um terceiro álbum sensacional para ter chances de ter seu contrato renovado.

Cabeça Dinossauro (1986)

“Cabeça Dinossauro” precisava ser um sucesso, e a banda o encarou como se fosse uma questão de vida ou morte. Para isso, abandonaram a característica heterogênea dos outros álbuns para fazer um disco de proposta sonora mais clara e coesa. As canções se tornaram menores, mais pesadas, com letras curtas e carregadas de um senso de rebeldia. Ninguém escapa de “Cabeça Dinossauro”: as dívidas, o estado, a mentalidade burguesa, os “exemplos” da turma, a polícia, a família, todas essas instituições possuem uma “homenagem” às avessas. “Bichos Escrotos” possuía uma letra com palavrões, algo que soava quase como uma heresia em um país conservador que ainda vivia a transição ditadura militar – sociedade civil. Enquanto os outros discos foram feitos com a intenção de agradar, “Cabeça Dinossauro” simplesmente desnorteava o seu ouvinte.

Resultado: mesmo com a descrença dos executivos da gravadora, o álbum se tornou um sucesso tão gigantesco que praticamente todas as canções do disco se tornaram clássicos absolutos. Da noite para o dia, os shows ficaram lotados, as canções estavam nas rádios e os Titãs se tornaram o símbolo de um espírito rebelde que não conseguia se encaixar no Capital Inicial, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha e outras. “Cabeça Dinossauro” não só garantiu o passaporte dos Titãs para o sucesso como também se tornou o maior disco do grupo até hoje e referência para qualquer pessoa interessada no rock brasileiro.

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