Polêmica: Seria “Pobre Paulista” (Ira!) uma canção racista?

Em 1986, o Ira! se consagrava como uma das principais nomes do rock brasileiro com o seu terceiro LP, “Vivendo e Não Aprendendo”. Com uma mistura perfeita entre fortes e pesadas canções e lindas baladas, o álbum é apontado até hoje como o melhor do grupo, contando com clássicos absolutos como “Envelheço Na Cidade”, “Flores em Você”, “Dias de Luta” e “Gritos na Multidão”. O álbum encerra com outra pérola, “Pobre Paulista”, que foi grande sucesso nos shows do grupo.

“Pobre Paulista” é um punk que vai subindo de acordo com o vocal de Nasi até explodir em um refrão bastante adequado para ser entoado por uma multidão. “Pobre Paulista” é contagiante, um petardo capaz de levantar qualquer um e uma amostra do quão invejável é o catálogo do Ira!. Os problemas, contudo, começam quando se presta atenção na terceira estrofe da canção: “Não quero ver mais essa gente feia, não quero ver mais os ignorantes, eu quero ver gente da minha terra, eu quero ver gente do meu sangue”. Somado à forte identidade do grupo com a cidade de São Paulo, o grupo foi acusado de compor uma canção de cunho racista, visto que o trecho pode ser remetido aos diversos nordestinos e imigrantes que moram na cidade, constantes alvos de preconceito da classe média alta paulistana.

O guitarrista Edgard Scandurra, autor da canção, sempre negou o cunho preconceituoso da canção. Segundo Scandurra, a canção foi composta quando ele tinha 17 anos, sendo um grito juvenil contra os governantes que “oprimiam” a cidade de São Paulo. A gente feia, os ignorantes, portanto, seria uma referência a prefeitos, vereadores, deputados e governadores. Só depois que começou a ouvir as críticas é que Scandurra percebeu a possibilidade de outra interpretação.

Recentemente, contudo, o vocalista Nasi, antes um grande defensor da canção, decidiu trocar de lado. Em uma entrevista para uma revista, Nasi contou um episódio da turnê do “Acústico Mtv” (2004), em que estava conversando com alguns amigos e Edgard se juntou a eles justo quando “Pobre Paulista” estava na pauta. Edgard então falou pra todos que essa história de rebeldia juvenil não tinha nada a ver, e que tinha escrito a letra com intenção discriminatória. Magoado com o fato de que só naquele momento o então amigo revelara a real motivação da música, Nasi desde então passou a se recusar a cantar a música nos shows do grupo.

Ambas as versões, contudo, parecem problemáticas. Se a versão de Edgard parece um pouco forçada (afinal de contas, são os mesmos argumentos utilizados por vários comentários de YouTube, Twitter e outros veículos que infelizmente continuam a acontecer), a de Nasi também é comprometedora, vista que foi feita durante o furacão que foi o final do grupo. Os fãs do grupo também se dividem quanto a questão entre inocentar ou abominar a canção. Até lá, a polêmica continua.

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5 thoughts on “Polêmica: Seria “Pobre Paulista” (Ira!) uma canção racista?

  1. eu gostei da cançao. eu a interpreto como racista,o problema é que todos pensam em sao paulo belo horizonte,e rio de janeiro.eu acho que deveria pensar em sua capital de orígem.eu tenho amigos nordestinos e gosto deles

  2. Eu sempre interpretei como sendo uma crítica a este tipo de pensamento… pensamento do “pobre” paulista. Pobre de espírito … sempre interpretei esta música como uma crítica ao pensamento elitista do paulista.

  3. A letra não deixa dúvidas, porém o povo daqui não é obrigado a achar que essa migração foi tão boa quanto a mídia divulga, realmente não foi.

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