Joss Stone – The Soul Sessions Vol. 2 (2012)

Quando tinha apenas 13 anos de idade, a londrina Joss Stone conseguiu um contrato com uma grande gravadora, após impressionar diversos olheiros com a sua já potente voz, além do marketing sempre explorado de uma garota branca cantando canções de um estilo “tradicionalmente” negro. Pouco tempo depois ocupavam as prateleiras “The Soul Sessions” (2003), álbum debut composto de covers de soul. Somente no segundo disco “Mind, Body & Soul” (2004), a confiança permitiu que, junto com um time de compositores, a cantora começasse a construir sua própria concepção musical.

Mais de uma década depois, Joss Stone revisita a ideia com “The Soul Sessions Vol. 2”, álbum recém-saído do forno. Se o anterior buscava dar projeção àquela voz, aqui o álbum exerce um papel simbólico de cristalização da performance da cantora como intérprete. O trabalho, que sucedeu 4 outros de canções inéditas, chega ao mundo como um misto de celebração e revisão, um retorno às origens e um olhar pra trás com os pés fincados no presente.

É difícil pensar em “The Soul Sessions Vol. 2” sem se voltar para o primeiro e notar que há dois aspectos que os diferenciam. Se o primeiro, com o intuito de apresentar a cantora, tinha uma estrutura rígida, onde os instrumentos tinham um caráter discreto e apenas acompanhavam as variações de uma voz bem treinada, aqui a orquestração das canções ganha mais atenção, com bons riffs de guitarra, sax e bonitas e pulsantes linhas de baixo. Joss também, como já sugerido nos álbuns anteriores, não apenas está com a voz no auge (detalhe: com apenas 25 anos de idade), como também demonstra conhecimento do que ela pode oferecer. Em um mundo onde todos se surpreendem com a voz de Adele, me pergunto se Joss, estando ali do lado, não teria muito menos reconhecimento do que merece.

O repertório alterna tanto clássicos do soul como “(For God’s Sake) Give More Power To The People” e o primeiro single do disco, “Why You’re Out Looking For Sugar”, com escolhas menos óbvias, fruto de uma criteriosa seleção organizada por um membro da banda de Joss. Há poucas baladas, o que dá ao álbum uma energia cativante em diversos trechos da gravação. Como em diversos álbuns, as melhores canções estão na primeira metade, mas ele se recupera bem nas duas últimas baladas, “Pillow Talk” e “Then you Can Tell Me Goodbye” – sendo que ambas, especialmente a primeira, se destacam por Joss cantá-las em um tom mais baixo, algo pouco comum.

“The Soul Sessions Vol. 2” é um álbum que deve agradar tanto os fãs que acompanharam a evolução de Joss como intérprete quanto os marinheiros de primeira viagem que precisam de um disco que consiga chamar a atenção de forma instantânea. Embora seja um disco de covers, certamente muitos não conhecem as canções, o que dá ao álbum a agradável impressão de “inédito”. Um misto de revisão e celebração de uma cantora que retorna às suas origens, mas que já pensa no próximo disco e na construção de seu legado musical.

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