Discografias – Nirvana (Parte 1)

O Nirvana é um destes grupos canônicos de carreira meteórica, e talvez por esta mesma razão poucas pessoas se aventuraram a lançar um olhar de maneira mais extensa sobre sua curta, mas significativa discografia. Na primeira parte deste post duplo procuro tratar dos primeiros discos da trajetória de uma das bandas que, pessoalmente, figura entre as minhas favoritas.

Bleach (1989)

Bleach é um álbum caótico em todos os sentidos em que um álbum pode sê-lo. A maioria das faixas é conduzida por uma linha de baixo elementar, uma bateria crua e os vocais rasgados de Cobain. Bleach foi idealizado como um disco de grunge – este era o gênero em voga e o mainstream sempre fora a grande ambição de Kurt (apenas mais um dos muitos contraditórios aspectos de sua personalidade).  Com exceção de About a Girl nenhuma outra canção do disco figura entre as mais conhecidas pelo grande público.

O som sujo é acompanhado por letras raivosas e muitas vezes sem sentido aparente. A entropia se justifica pelo fato de 80% da parte lírica de Bleach ter sido escrita as vésperas da gravação. Em uma de suas declarações mais emblemáticas Kurt disse que não tinha apreço por nenhuma das letras deste álbum. “Let’s just scream negative lyrics”, ele disse, “and as long as they’re not sexist and don’t get too embarrassing it’ll be okay”.

Nevermind (1991)

Nevermind é o álbum mais emblemático dos anos 90. A primeira surpresa vem assim que começamos a ouvir o disco – a qualidade da gravação, especialmente em comparação com a de Bleach, é espantosa. O disco já nasce clássico, aberto pelo hino Smells Like Teen Spirit e seguido de clássicos como In Bloom, Come as You Are, Lithium, Polly, On a Plain, e uma série de canções não canônicas de imensa qualidade.

Nevermind é o oposto de Bleach em muitos sentidos – as letras, por exemplo, foram mais trabalhadas, e tem um veio mais pessoal, embora mantenham a negatividade e auto-depreciação típicas do primeiro trabalho. Se a lírica ganhou finalmente a atenção de Kurt, a parte instrumental deu um salto estratosférico de qualidade com a entrada do baterista Dave Grohl e o abandono do grunge como principal referência da banda. Nevermind é um álbum que merece, em absoluto, toda a veneração que recebe como marco de um grande momento do rock and roll e de toda uma geração.

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