Revisitando um Clássico – Bon Jovi – Slippery When Wet (1986)

O ano de 1986 certamente é um dos momentos da década de 80 com lançamentos espetaculares. No Brasil, “Dois” (Legião Urbana), “Cabeça Dinossauro” (Titãs) e “Selvagem?” (Paralamas). Mundo afora, “Master of Puppets” (Metallica), “The Final Countdown” (Europe), “Somewhere In Time” (Iron Maiden), “Reign of Blood” (Slayer), “Peace Sells… But Who’s Buying?” (Megadeth), e a lista segue adiante. O leitor deve reparar que, das bandas estrangeiras, todas as bandas citadas acima fazem parte do grupo hard rock/metal, o que talvez traduza o domínio do estilo tanto em vendagens quanto em revelações. No lado da california, o trash metal desenvolvia com força. A Alemanha e Noruega eram berço de diversas frentes de metal, sendo até hoje um campo fértil para novas bandas. Na Inglaterra, New Wave of British Heavy Metal. E ao redor de tudo isso, as bandas de hard rock, com o seu som seco, inteiramente conduzido pelas guitarras e temática sexo, drogas e rock’n roll. Difícil pensar me outro ano tão bacana em termos de lançamentos dessa vertente.

1986 também foi o ano de lançamento de um dos grandes clássicos do rock, terceiro disco da banda Bon Jovi, e também seu mais bem-sucedido trabalho até agora: Slippery When Wet. O álbum foi desenvolvido em circunstâncias complicadas. O Bon Jovi conseguira um contrato com uma gravadora em 1984, um ano após John ter conseguido que sua canção, “Runaway”, tocasse nos clubes noturnos de New Jersey com boa frequência. Com um contrato com seu nome e precisando de uma banda, John Bongiovi (mais tarde John Bon Jovi) reuniu o grupo formado por Richie Sambora (guitarra), Alex John Such (baixo), David Bryan (teclados) e Tico Torres (bateria).

O primeiro e interessante álbum, “Bon Jovi”, teve sucesso relativo, mas o fraco “7800o Fahrenheit” colocou a banda em sinal de alerta. Em 1986, o Bon Jovi precisava desesperadamente de um álbum que fizesse sucesso, pois a gravadora, que já investia na banda a dois anos, não esperaria de braços cruzados o esperado retorno financeiro e romperia com a banda se o caixa não fosse abastecido. Ou o Bon Jovi atingia em cheio o alvo ou a brincadeira acabava para eles.

Para a escrita das canções, John e Richie contaram com a parceria de Desmond Child, renomado produtor do hard rock, indicado por Gene Simmons (Kiss). A banda ainda mantinha os dois pés fincados no hard rock que tanto estava em voga, mas anseava também experimentar outras trilhas geralmente não exploradas pelas outras bandas do gênero. O clima festivo do hard rock estaria lá, mas a banda também poderia escrever canções de amor genuínas caso desejasse. Ou também cantar sobre sentimentos humanos em geral.

Esse aspecto é importantíssimo para entender o porquê de “Slippery When Wet” ter sido o que foi. Ao mesmo tempo em que carimbou o passaporte da banda para o mainstream de um gênero – o hard rock – , o álbum permitiu que a banda se comunicasse com outros públicos. Afinal de contas, quem classificaria “Livin’ On A Prayer” como uma canção de hard rock? Assim como o álbum do Metallica 1991, “Slippery When Wet” é antes um ótimo álbum de rock do que um álbum de hard rock. É essa comunicação em que ele investe que o faz ser reconhecido como um clássico até hoje.

Algumas canções resistiram bem ao teste do tempo. “You Give Love A Bad Name”, “Livin’ On A Prayer” e “Wanted Dead Or Alive” até hoje são números obrigatórios no show da banda, e frequentemente aparecem como trilha sonora de comerciais, jogos de música, séries de TV e filmes. Algumas outras menos conhecidas do público geral – a nervosa “Raise Your Hands” e as românticas “I’d Die For You” e “Never Say Goodbye” tocam uma vez ou outra nas rádios especializadas. Ou seja, em um álbum de 10 faixas, pelo menos 6 são conhecidas pelo público não-próximo da banda. É muito, mesmo para um clássico absoluto do hard rock.

Agora, se me permitem terminar o texto com um desabafo: está IMPOSSÍVEL comprar os álbuns do Bon Jovi aqui no Brasil. As remasterizações de 2009 só são encontradas na forma de exemplares importados, com lojas cobrando o absurdo de 60 reais. Difícil entender esse tipo de postura para com uma banda que, pensando na lógica de mercado, até hoje vende bastante.

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