Livro: “Walk On – A Jornada Espiritual do U2”, Steve Stockman

O livro do pisbo irlandês Steve Stockman chegou ao Brasil de uma maneira diferente dos demais. Apoiado por uma ampla publicidade, fruto do momento brilhante que o U2 se encontrava (e ainda se encontra), o livro vinha como brinde para quem comprasse o modelo Ipod Nano da banda, época em que os pequeninos conjuntos de silício com o desenho de uma maça começavam a dominar lojas, conceitos e pensamentos.

Apesar do frenesi em que o livro surgiu, quem o comprou com a ânsia de conhecer a fundo a história da banda certamente se decepcionou. O fato pode estranhar quem olhar a capa da edição brasileira, recheada com cores e fotos da banda no período 2004-2006, mas não a quem se ateve ao sub-título: “A Jornada Espiritual do U2”. Nesse sentido, o livro de Stockman não tem como objetivo o acompanhamento do desenvolvimento da banda. O livro usa a história do grupo para dar fundamento à discussão teológica que propõe. Para sepultar de vez o estranhamento: nunca mais o encontrei na seção de música, e sim na sessão religiosa.

Entendido o sentido do livro, percebe-se sua intenção mais lírica e pessoal. Antes de falar sobre a banda, o texto envereda por uma discussão acerca do que é ser cristão. Como o U2 se enquadraria como cristão se seus integrantes bebem, fumam e se vestem de demônio em uma apresentação? Eis o gatilho em que o livro envereda entre uma discussão teo-filosófica e a história da banda, alimentando uma com o avanço da outra.

O livro contudo, não se dedica apenas a uma discussão religiosa. O autor sabe que o que alimenta seus leitores é a ânsia por saber um pouco mais sobre a banda, além do próprio se considerar um fã. Sua análise sobre a cena irlandesa e seus guetos é sucinta e brilhante, certamente uma das melhores análises de contexto que já li. Para o autor, caso a Irlanda tivesse guetos musicais de forte musculatura, certamente a banda teria enveredado para dentro de uma para sobreviver. Contudo, o fato de que não havia guetos, portanto sem direções pré-determinadas pra seguir, forçou a banda a adotar um discurso universal aliado ao religioso, a permitindo crescer. Graças ao U2 foi possível que The Corrs e Cranberries explodissem. Graças ao nada que ao U2 foi permitido crescer.

A partir de então o texto segue com um padrão estabelecido, com rápidas palavras sobre o momento da banda e um olhar teológico nos temas religiosos que circulam a maior parte das canções da banda. A escrita é suave e possui um ritmo tranquilo, tornando a leitura leve e agradável. O texto passa longe de querer converter novos fiéis, mas oferece a mão para introduzir temáticas religiosas na medida que as canções as vão abordando.

“Walk On”, assim, é um livro indicado para quem tem interesse em discutir as temáticas religiosas das canções de uma das maiores bandas do mundo, utilizando a história do grupo para um suporte para as reflexões. Afinal, para Stockman, a história pode ser apenas uma simples sucessão de fatos. Cabe então saber como utilizá-la para dela tirar uma reflexão.

Publicado em U2

One thought on “Livro: “Walk On – A Jornada Espiritual do U2”, Steve Stockman

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