Maná – Drama y Luz (2011)

Dizem por aí que a língua que mais soa bem em uma canção é o inglês. Suas palavras e expressões curtas tornam possíveis composições dinâmicas e grudentas, além do fato de que, por ser a língua padrão internacional, a canção pode gerar empatia em qualquer canto do mundo.

Ao meu ver, esse tipo de pensamento parece ser uma grande bobagem. É verdade que, do ponto de vista do compositor, talvez o português, ou o espanhol, ou o francês não ofereçam a flexibilidade que o inglês consegue oferecer. Mas me parece que a preferência pelo inglês nas paradas de música se deve não a um caráter universal, mas única e exclusivamente para satisfazer os dois maiores mercados mundiais – Estados Unidos e Grã-Bretanha, tornando o discurso universal uma falácia. Claro que as canções conseguem se comunicar com qualquer um com o tipo de sensação e emoção que transmite. Mas o caráter da língua oferece proximidade, intimidade da canção para com a vida do ouvinte. Talvez nossa geração, acostumada ao computador e ao diálogo com o mundo via língua inglesa, possa ter dificuldades para entender esse pensamento, mas basta dar uma olhada na geração mais velha – a quantidade de canções cantadas em português é consideravelmente maior.

Todas essas discussões podem perfeitamente se adequar não só à “Drama y Luz”, mas também à toda trajetória do Maná, banda mexicana que faz bastante sucesso na América Latina e Espanha, embora sofra alguma resistência aqui. Na época de seu show no Rock In Rio, li diversas críticas apontando uma certa ingenuidade e pensamento retrógrado da banda ao pregar a união dos latinos na canção “latinoamerica”, tanto tempo após o fracasso da CEPAL. A canção, contudo, é super elogiada por fãs e imprensa latinoamericana, países com um senso maior de unidade, talvez devido à língua comum. Ou seja, a banda é ingênua, ou o Brasil que rejeita se ver como um país latinoamericano? No campo político temos nos aproximado bastante dos nossos vizinhos, mas no campo cultural parece que tentamos obter certa distância.

“Drama y Luz” é o oitavo disco de estúdio da banda, o primeiro desde “Amar es Combatir” (2006), álbum que deu bastante visibilidade à banda no país graças aos hits “Amores Compartidos” e “Bendita Tu Luz”. Anteriormente, a banda já havia tocado nas rádios graças à inclusão de “Vivir Sin Aire” na trilha sonora de uma novela global, e também foi notada com a versão do cantor Leonardo para “Corazón Espinhado”. Por fim, “En El Muelle de San Blás”, maior sucesso do grupo, também lhe rendeu diversos admiradores brasileiros.

O álbum possui um senso de identidade como mexicano, como latinoamericano, bastante evidente. Além da já citada “latinoamerica”, “El Espejo” e “Sor Maria” são canções com plano de fundo bem delimitado, mais especificamente o México no século XVI, cenário de uma história de amor contada nas canções. Apenas quando não está falando de suas raízes é que o álbum se volta a0s temas universais como o amor, raiva, dor.

As 11 canções do álbum, em geral, são longas e lentas – apenas “Mi Reina del Dolor”, “Latinoamerica”, “El Espejo” e “El Dragón” não seguem essa estrutura. Também estão lá os flertes com o reggae e a música latina que sempre aparecem em seus trabalhos. No entanto, assim como outros trabalhos, a grande quantidade de canções lentas faz com que a duração do álbum seja bastante longa, tornando sua execução cansativa nas primeiras execuções. Claro que a banda não é obrigada a oferecer variações de ritmos para prender a atenção do ouvinte mas, em tempos onde poucos se interessam em sentar para ouvir um álbum, isso pode ser um obstáculo para o fã de primeira viagem.

Dentre os destaques está a belíssima faixa de abertura “Lluvia al Corazón”, “Mi Reina Del Dolor” – típica faixa agitada do Maná -, “El Espejo” – talvez a canção mais diferente que a banda já gravou em muito tempo -, e “Latinoamerica” – tanto pela canção quanto pela presença dos vocais do talentoso baterista Alex González.

“Drama y Luz”, em suma, é um trabalho que pode exigir um certo esforço do ouvinte por estar imerso em uma perspectiva, um estado de espírito que se manifesta na forma de longas medicações (no caso, na forma de canções). Caso a execução torne-se cansativa demais para alguém, ainda é possível sentir a energia que a banda transmite a partir de seus singles.

Anúncios

One thought on “Maná – Drama y Luz (2011)

  1. Pingback: Maná no Rock in Rio – 30/6/12 (Streaming) « DOREMIFA

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s