The Cranberries – Roses (2012)

“Roses”, novo trabalho da banda irlandesa The Cranberries, em si já é um marco e certamente um disco querido pelos fãs da banda antes mesmo de ser ouvido. Lançado em fevereiro, ele marca o encerramento de um hiato de 9 anos da banda, período em que seus integrantes decidiram dedicar-se a projetos individuais, e também dar um tempo a um já desgastado relacionamento interno. Agora, com 20 anos de carreira nas costas, a banda entrega no mercado um álbum descompromissado em conseguir o “sucesso do momento” e que foca em seguir a linha melódica característica da banda.

Assim, é possível dizer de imediato: não existe uma nova “Linger” no álbum. Embora “Tomorrow” possa soar mais acessível ao ouvinte não acostumado à sonoridade da banda, nenhuma das canções de Roses parece carregar aquela intenção de ser o carro chefe do álbum, a canção que salta aos ouvidos do ouvinte. O resultado disso é que Roses é um álbum mais voltado para si, tendo seus méritos e deméritos notados apenas por quem se interessar a ouví-lo. Roses não busca convencer, ele chama o ouvinte para si.

As canções, em geral, possuem estruturas semelhantes. Sua estrutura instrumental é subordinada às variações da voz da vocalista Dolores O’Riordan (cuja voz continua com a mesma potência daquela que cantava “Linger”). A canção sobe quando O’Riordan atinge notas mais agudas e segue um arranjo minimalista para acompanhar um tom de quase sussurro da cantora, tornando a linha vocal elemento central pelo qual o resto da canção circunda. Apenas em “Schizophrenic Playboys” isso parece se inverter, com a cantora buscando acompanhar as variações de volume da canção.
Essa característica pode desagradar quem espera mais em termos de riffs e estrutura musical, pois as canções são basicamente bases, com pouquíssimos riffs dedilhados,  e organizadas por uma mixagem que dá um aspecto “embaçado” às canções. Em suma, as canções de “Roses”, sem exceção, são bastante objetivas, e essa característica pode ser considerada como um defeito ou não de acordo com o gosto do ouvinte. O álbum também apresenta um pequeno problema de mixagem em “Waiting in Walthamstow”, onde os sussurros de O’Riordan parecem estar baixos demais em meio à embaçada estrutura sonora.

Dentre os destaques do álbum, estão a ótima “Tomorrow”, “Show Me” e “So Good”, além da própria voz de O’Riordan que alterna entre os tons agudos e graves de forma encantadora. Assim como em outros trabalhos do Cranberries, esse é um álbum feito pra ela e sua voz conduzirem a orquestra sonora durante toda a viagem.

Assim, o trabalho do grupo irlandês é daqueles cuja valor dependerá da postura de seu ouvinte. Em certo sentido é um álbum ortodoxo, pois seus méritos, deméritos e apostas dependem exclusivamente de suas melodias vocais. Considerando o quilate da voz de O’Riordan, é grande as chances de “Roses” agradar nesse sentido.

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