Joss Stone – LP1 (2011)

Joss Stone é uma cantora pop britânica com ares de veterana, apesar de ter apenas 25 anos de idade. Aos 16 anos já lançava seu primeiro disco, uma compilação de canções de outros artistas entitulada “The Soul Sessions” (2003). A cantora teve sucesso nas rádios com “Super Duper Love” e “Fell In Love With A Boy”, essa uma brilhante reinterpretaçãoe de “Fell in love with a girl” do White Stripes. O disco seguinte, “Mind, Body & Soul” (2004), foi o primeiro material autoral, com vendas capitaneadas pela execução de “You Had Me”, provavelmente a canção mais-bem sucedida da cantora.

Naturalmente, a carreira de Joss passou a acontecer de forma mais discreta nos últimos anos. Naturalmente porque, se em 2003 o autor assistia a programas de videoclipes que misturavam Joss Stone com Metallica e Britney Spears, a supremacia do pop eletrônico e do hip hop nas rádios jovens nos dias atuais parece impossibilitar esse tipo de variação. Quem não se encaixa no estilo acaba sem fôlego para subir nas paradas. Joss, contudo, parece não sentir falta, pois têm conseguido um público bastante fiel.

Existe uma grande diferença entre essa jovem Joss Stone com a que lançou no ano passado “LP1”. Lá, a cantora ainda aprendia a utilizar sua voz em cima de estruturas melódicas já rígidas (caso mais evidente em “The Soul Sessions”). Quase dez anos depois, a cantora de “LP1” mostra um maior domínio da sua performance local, a colocando à sua disposição de seu trabalho de composição. Mais do que nos trabalhos anteriores, é em “LP1” onde esse crescimento como cantora fica mais evidente.

Outra característica interessante de “LP1” é o descompromisso de ter uma canção pop, pensada para tocar nas rádios. Muitos artistas costumam deixar evidente em seus trabalhos esse tipo de preocupação, lançando álbuns com uma canção single totalmente distinta das demais. Talvez por ter o seu próprio selo, a cantora não precisa lidar com esse tópico, dando a seu trabalho um aspecto bastante uniforme. Em “LP1”, as canções parecem pertencer sempre a uma mesma atmosfera.

O álbum, contudo, possui alguns desvios. Talvez o início meio despretensioso  de “Newborn” não combine muito com seu grandioso refrão, cujo volume é aumentado pelas guitarras. Aliás, essa maneira de fazer a canção crescer no refrão funciona bem nas três primeiras músicas isoladamente, mas ao ouví-las em sequência, é impossível não notar uma certa repetitividade. Quando chegamos à primeira canção a não utilizar o recurso, a linda “Last One to Know”, têm-se uma sensação de alívio. A última canção, “Take Good Care”, uma espécie de súplica a alguém que quer “puxar o botão” (seria referência ao suicídio?), também acaba passando um pouco despercebida, talvez pela sua estrutura clichê.

Dentre os acertos do álbum, estão as três primeiras, cada uma com refrões inspiradíssimos. Joss mostra em “Karma”, primeiro single do disco, um controle vocal que impressiona (ver vídeo acima). “Somehow” lembra as origens soul da vocalista, “Drive All Night” é uma balada calma que refresca os ouvidos e “Boat Yard” engrandece a sequência final do disco.

“LP1” é um interessante testemunho de uma cantora que, apesar de alguns tropeços normais, segue firme em seu desenvolvimento como artista. O melhor de tudo é pensar que a ausência de abusos (brigas, álcool, drogas), a sua juventude e a sua voz cada vez mais bela são componentes que Joss ainda terá muita coisa a oferecer.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s