Jack White – Blunderbuss (2012)

Poucos artistas na última década foram tão abraçados pela crítica como Jack White. O músico, que surgiu como guitarrista do duo indie-punk-blues “The White Stripes” (formado apenas por ele e Meg White), logo se tornou um ícone, apesar do seu comportamento avesso à promoção de sua pessoa (tanto que ele quase nunca aparece sorrindo para uma câmera). Seus diversos projetos – os grupos The Racounters e The Dead Weather, além de diversas colaborações com vários artistas – sempre tiveram boa cobertura da mídia. Tendo todo esse contexto, parece ser surpreendente que, só agora, White enfim deixe de se esconder sob o nome de um grupo para assumir um projeto inteiramente seu.

Ao mesmo tempo em que é inteiramente seu, Blunderbuss também é consequência de toda uma maturação e amadurecimento de seu trabalho. Aos 37 anos, certamente o cantor não se enquadra no perfil de inexperiência e busca de uma direção musical que é marca registrada de tantos primeiros registros. As 13 faixas do álbum são bastante coesas e fiéis na sua proposta, deixando o ritmo do álbum com mínimas variações possíveis.

Blunderbuss, por outro lado, acentua outras facetas de White que pareciam apenas sugeridas nos outros trabalhos (com exceção, talvez, dos Racounters, onde a sugestão tomava ares literais). O cantor, que já tinha o costume de gravar utilizando aparelhos antigos, anteriores à era moderna da mixagem, expande essa característica também para o estilo de composição. Suas influências do blues, jazz e soul dos anos 50, 60 e 70 guiaram sua mão.

E esse parece ser o aspecto mais delicado de Blunderbuss. Se por um lado algumas canções funcionem perfeitamente nesse modus operanti – como “Hip (eponymus) Poor Boy”, “Take Me With You When You Go” e a excelente “Love Interruption” (não por acaso, o primeiro single do álbum) – em outras as cordas parecem estar mais tencionadas do que deveriam, como em “I’m Shakin’” e “Trash Tongue Talker”. Não que o problema esteja nas canções em si, mas sim no contexto. Em pleno ano de 2012, é bem-vindo um estilo de composição que tenha um olhar voltado a um tipo de produção musical não mais existente (Adele é a prova mais recente disso), mas tentar repetí-la soa quase como um anacronismo que pode agradar saudosistas ou afugentar quem gosta de ver na canção o retrato de sua época – o ano de 2012.

Por essas razões, Blunderbuss é um álbum que pede atenção, daqueles que se escuta olhando para o rádio sério. Sua estrutura é bastante coesa, e a mídia em geral até tem razão quando afirma não ter “nenhuma nota fora do lugar”, mas o seu manifesto exige um tipo de postura do ouvinte. Vê-se o anacronismo ou a ótima mesclagem entre o indie e a música de tempos passados. O álbum coloca as cartas na mesa.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s