Adeus, Robin Gibb

No ano passado, Brasília recebeu uma notícia estonteante para os interessados em música: uma lenda faria uma apresentação única no ginásio Nilson Nelson, mito que atende pelo nome “Robin Gibb”, eterno membro de um dos grupos pop mais sensacionais de todos os tempos, o Bee Gees. Havia algumas notícias sobre o frágil estado de saúde do cantor, mas todos se surpreenderam quando mais uma internação inviabilizou a turnê brasileira. A promotora prometeu remarcar os shows.

Infelizmente, isso não vai mais acontecer. Robin morreu ontem, o segundo Bee Gees a nos deixar (Maurice Gibb faleceu em 2003). Mais uma vítima do câncer, que dia desses matou o MCA do Bestie Boyes e, dois anos atrás, levou também a lenda do heavy metal Ronnie James Dio.

Certamente não é meu interesse apelar para clichês do tipo “a música envolve” para justificar a perda de alguém que, teoricamente, não tem um papel ativo em nossas vidas. Afinal de contas, a música esta aí, preservada em discos, DVD’s, discos rígidos e back-ups. Mas é impossível não desencadear uma série de sensações nostálgicas.

A morte de Robin Gibb faz-me lembrar, por exemplo, de 1997, ano em que os Bee Gees decidiram fazer uma única apresentação em cada continente depois de muito tempo, turnê que resultou nos álbum e vídeo entitulados “One Night Only”. Com 8 anos de idade, não tinha nenhum interesse nem conhecimento sobre música, mas canções como “You Should Be Dancing”, “Night Fever”, “Stayin’ Alive”, “I Started A Joke” e “Tragedy” me fascinavam.

Faz lembrar também uma discussão antiga com alguns amigos. Tentávamos decidir o que mandar para Marte, que tipo de coisa ajudaria a definir a humanidade para quem não nos conhecia. No campo da música, não tivemos nenhuma dúvida: não seria os Beatles, nem Beethoven. Seria uma caixinha com CD’s do Bee Gees.

Mesmo a carreira solo de Gibb, intercaladas por longos hiatos fora da música, tem seus méritos. “Juliette”, a principal canção desse período, carrega com dignidade o legado de um artista atemporal.

Parece ser esse tipo de sensação nostálgica que nos faz entristecer quando alguém desse porte se vai. Se ele não tomou parte ativa nas nossas vidas, estava lá nas nossas experiências afetivas. Adeus, Robin Gibb. Missão cumprida na terra.

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