Roxette em Brasília – 15/5/2012

“It’s been so long since I first saw you. But I still love the smile in your eyes”. Até que ponto podemos acreditar em nostalgia? Pois, se por um lado ela representa um retorno ao passado, por outro ela agrega uma experiência inédita, a de ouvir algo depois de um longo tempo e dizer: “nossa!”. A nostalgia em si carrega a anti-nostalgia. E também carrega um senso de celebração. Às 21:20 do dia 15 de maio deste ano, o Roxette – dupla pop sueca formada por Marie Fredkssen e Per Gressle – e banda de apoio subiram no palco do Ginásio Nilson Nelson para celebrar: o novo disco, a longa e bem-sucedida turnê, os velhos hits, os fãs. Nostalgia dos hits. Anti-nostalgia no sentido de ser a primeira vez em Brasília,

Aliás, isso parece definir bastante o que foi o show da banda: o saboreio das primeiras vezes. Foi a primeira vez que vi um show internacional com uma entrada tão tranquila. A primeira vez que as músicas tocadas antes do show eram faixas menos conhecidas da própria banda. Pista lotada de gente, mas com espaço. Parece que a maturidade faz as pessoas entenderem que, estando dois passos atrás, ainda dá pra ver bem o palco, o que permite que todos possam pular sem incomodar quem deseja assistir o show parado.

Foi a primeira vez também que vi uma falha na segurança quase gerar uma consequência nefasta. Durante “She’s Got Nothing On (But The Radio)”, alguém liberou um gás no lado direito do palco. Meus olhos lacrimejaram e minha garganta quase fechou por alguns nefastos segundos. As unidades médicas rapidamente entraram na pista, socorrendo quem passava mal, mas a situação se normalizou antes do terceiro refrão da música. O curioso é que, depois disso, pessoas diferentes estavam nas minhas costas. Torço para que tenha sido apenas consequência.

Momentos ruins já relatados, hora de voltar para às 21:20, quando as luzes do ginásio se apagaram. Sem rodeios, a dupla entrou no palco e mandou três petardos de seus álbuns clássicos: “Dressed For Success” (Look Sharp! – 1988), “Sleeping In My Car” (Crash! Boom! Bang! – 1994) e “The Big L.”, a primeira de sete canções que representavam seu álbum mais bem-sucedido, e na opinião do autor um dos grandes álbuns pop dos anos 90, Joyride – 1990. Per ficava à beira do microfone apenas para cantar suas linhas, depois corria de lá pra cá, enquanto cantava pra si as linhas de Marie ou distribuía sorrisos. Desde Billie Joe Armstrong não vejo um vocalista correr tanto no palco.

Marie, devido aos problemas de saúde que teve, fica ali, paradinha no seu lugar, arrancando longos aplausos a cada nota aguda que dava (várias vezes o público gritava “Marie! Marie! Marie!”, coro acompanhado pelo animadíssimo Per). A banda, super entrosada, troca olhares e interage com a banda e a platéia o tempo todo, também andando de lá pra cá no palco. Novamente, é a primeira vez que vejo sete pessoas se interagirem tanto em um palco.

Sabendo que o público espera hits, Marie e Per mantiveram um ritmo intenso em todo o show, que só possuía 2 canções posteriores a 1999. O público, emocionado e alegre, respondeu sempre que solicitado – desde “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, em um Morumbi com 90 mil pessoas, não escuto um coro tão alto quanto os de “It Must Have Been Love” e “Spending My Time”.

Apesar do caráter best hits, houve um improvável destaque com “It’s Possible”. Atual single da banda, temia que poucas pessoas a acompanhariam… Bobagem. A música não só foi ovacionada como muitos fãs levantaram pedaços de papéis, formando vários “do do do do do do do do” na pista, deixando a banda visivelmente surpresa. “Fading Like A Flower”, a canção que me transformou num fã do duo, também elevou os níveis de um show altamente emocional. “Perfect Day” mostrou como Marie ainda canta bem, apesar da natural envelhecida na voz. “Crash! Boom! Bang!” levantou os braços de todos, “How Do You Do!” e “Dangerous” levantaram os pés, e “Joyride” foi celebrada com diversos balões infláveis que passeavam pela pista. Ao final de 16 canções, olhares emocionados ao meu redor.

No bis, “Spending My Time”, “The Look” e “Listen To Your Heart” anunciavam os contornos finais da apresentação. “Church Of Your Heart” fechou o set com a banda toda na frente do palco, dois violões, gaita e tímida percussão. “Yes it’s true, right from the start… I believed in the church of your heart”. Não contem pra ninguém que esse autor chorou ainda no primeiro refrão.

Quando Per estendeu o braço para Marie e os dois saíram abraçados do palco, encerrou-se um momento ímpar e diferente de todos os shows que já fui: um duo que envelhece com muita seneridade e abraçado pelos seus fãs. Uma pista em que todos aproveitam o show e respeitam o companheiro ao lado. Até mesmo o gás não passou de uma perturbação logo esquecida frente ao abraço dos dois. Dia desses uma garota postou no twitter: “hoje é dia de ouvir Roxette até o mundo virar doce”. Quem esteve naquela noite entendeu o porquê.

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