Canções Notáveis – “The Logical Song”, Supertramp (1979)

The Logical Song é a canção mais famosa do melhor álbum do Supertramp: Breakfast in America (1979). É uma das músicas com mais versões na história, e faz total justiça a sua imensa popularidade. É um exercício curioso tirarmos um momento para escutá-la e ver como soa extremamente datada. Musicalmente, a faixa grita “anos 80”, embora seja do final da década anterior.

Mas as boas canções superam as barreiras do tempo. Para uma música que envelheceu mal, Logical é liricamente atemporal. Aliás, sua letra é absolutamente irretocável, e um dos fatores essenciais a sua sobrevivência. É estranho pensar que uma canção tão amarga tenha sido escrita por um Roger Hodgson muito jovem.

Os pássaros silenciaram cedo para o compositor que se questiona aqui sobre o sentido da existência, e sobre uma vida que nos pressiona para sermos tão lógicos, obedientes, práticos, responsáveis, etc. Acho que a canção tem um grande alcance uma vez que todos, invariavelmente, nos interrogamos sobre nosso lugar no mundo em algum momento. Mas além de traduzir bem este sentimento de deslocamento característico da contemporaneidade, The Logical Song sempre me pareceu um excelente retrato da vida no ambiente acadêmico:

But then they sent me away to teach me how to be sensible, logical, responsible, practical. And then they showed me a world where I could be so dependable, clinical, intellectual, cynical.

Now watch what you say or they’ll be calling you a radical, a liberal, fanatical, criminal. Won’t you sign up your name? We’d like to feel you’re acceptable, respectable, presentable, a vegetable!

E deste modo, Logical vai sobrevivendo aos anos por traduzir tão bem a impotência do indivíduo pós-moderno. Mas esta não é uma música sobre mudança, revolução, ou protesto. É uma reflexão bastante conformada e cansada. É o retrato de uma pessoa que vai se dissolvendo nas teias ardilosas de seu próprio tempo. Para o compositor, somos todos sombras tristes de um Winston Smith, e estamos, sem dúvida, condenados a seu mesmo fim.

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