Shows: Aniversário de Brasília

Entre os dias 19 e 22 de abril de 2012, foram realizados a céu aberto, gratuitamente, diversos shows em comemoração ao aniversário de Brasília. O blog acompanhou os shows de Nando Reis, Fernanda Takai, Seu Jorge e Capital Inicial. Embora outros sites não se preocupem em publicar resenhas de shows nacionais (talvez pelo caráter da proximidade, e algumas vezes, da pouca variância do repertório de algumas bandas), pensamos ser importante conferir como esta ou aquela banda vêm tocando a sua carreira. Também destacamos que todo show em si é um acontecimento, um evento único, em que público e artista tem equivalentes papéis, tornando cada apresentação única e digna de ser dissertada sobre.

Seguem abaixo breves considerações sobre cada um dos shows.

Nando Reis

A primeira coisa a ser notada é o impressionante apelo que Nando Reis possui com o público jovem. Lembro que, ao longo do meu ensino médio, toda roda de violão tinha canções como “All Star”, “Por Onde Andei”, “Não Vou Me Adaptar” (encontrei antigos colegas no show, inclusive).

O espírito da idade da sua platéia parece fazer efeito no veterano músico. Nando pula de lá pra cá o tempo todo, joga o violão pra trás, interage com suas (lindas) backing vocals. A banda também entra no clima festivo, com o tecladista indo pra frente do palco com teclado e tudo mais de 5 vezes. É ótimo encontrar tamanho senso de diversão no palco.

Nando apresentou cinco canções da sua época dos Titãs: “O Mundo é Bão Sebastião”, “Não Vou Me Adaptar”, “Cegos do Castelo”, “Marvin” e “Bichos Escrotos”. Com exceção dessa última, é interessante observar como essas canções não remetem de forma alguma à sua antiga banda, permanecendo fortemente identificadas com Nando. Sempre que os Titãs tocam Marvin (com Branco Mello nos vocais), a impressão que dá é que eles que realizam o cover de sua própria canção.

Todos os grandes hits estavam lá: “Relicário”, “Luz dos Olhos”, “Por Onde Andei”. Contudo, todas foram apresentadas em uma versão mais lenta, mais esticada. O resultado em princípio é interessante, mas tornara-se cansativo na medida em que todas as baladas apresentavam esse formato. Grande alívio quando os primeiros acordes de “Marvin” (canção mais celebrada entre o fiel e animado público) interrompeu essa sequência.

O cantor apresentou uma nova canção ao público, “Declaração de amor”. É bonita, mas reforçou a minha visão de que a nata da produção de um dos melhores compositores do país esteja nas mãos de outros artistas, com Nando guardando pra si apenas as razoáveis. Ou talvez eu tenha por mim que um show não seja o local mais adequado para apresentar uma nova canção.

Fernanda Takai

Fernanda Takai, eterna vocalista do Pato Fu (e sempre destaque em listas de “melhor cantora” nas revistas estrangeiras)  apresentou canções de seu álbum solo de 2007, “Onde Brilhem os Olhos Seus”, uma seleção de composições interpretadas por Nara Leão. Tal repertório atraiu um público bem mais velho que o de Nando Reis na noite anterior, diminuindo consideravelmente o número de empurrões e de pessoas mal educadas na platéia.

Infelizmente, não pude tirar fotos do show, uma pena devido à imensa tranquilidade que imperou em toda a sua duração. O público, em parte familiarizado com o repertório ou apenas curioso, cantava baixinho todas as canções, levantando a voz apenas quando Fernanda solicitava. Em alguns shows isso pode ser sinal de desinteresse, mas aqui ocorreu o contrário: parecia que o público não queria ouvir a própria voz, mas apenas o doce e delicado sussurro de Fernanda. O número de pessoas na fila na lojinha da cantora depois da apresentação é um indício bem significativo do quanto a noite foi agradável com aquela linda voz ecoando pela cidade.

Seu Jorge

Seu Jorge foi atração do palco principal, montado em frente à esplanada dos ministérios, no dia do aniversário de Brasília, 22 de abril. Seu show antecedeu o do grupo mais esperado da noite, o Capital Inicial. Dessa forma, seria de se esperar que o clima não fosse dos melhores para um show de samba/MPB, que o público não estaria em sintonia… Após o show, contudo, fica a lição de que previsões não passam de… Previsões. Elas podem simplesmente desmanchar ao vento.

O tal público de rockeiros, afinal, não existiu. É verdade que, depois de 40 minutos do início da apresentação, já se ouviam gritos de “Capital Capital” na esplanada, mas foram logo abafados a cada acorde anunciando o início de uma outra canção.

Seu Jorge foi milimétrico, preciso. Praticamente não falou com a platéia. Quando entrou no palco, a sua numerosa banda já tocava há mais de dois minutos. Quando saiu, a banda permaneceu tocando por mais cinco. Optou por não se entregar a clichês e deixou simplesmente as canções falarem por si. Arriscada estratégia, pois poderia correr o risco de parecer antipático. Mas, como dito acima, previsões… Aquela era das suas noites.

Seu Jorge promoveu seu último CD “Músicas Para Churrasco”, tendo canções como “A Doida” bem recebidos pelo público. Mas, como esperado, foi hits como “Burguesinha” (espertamente deixada para o final) e “Mina do Condomínio” que levantaram a platéia. Em suma, Seu Jorge mostrou uma apresentação curta, mas eficiente, fazendo o que me parecia improvável: botando os rockeiros para sambar.

Capital Inicial

O Capital era a atração mais esperada da noite, e eu partilhava dessa visão. O rejuvenescimento em seu som, realizado já há uma década, fez com que muita gente torcesse o nariz para a banda. Contudo, poucos são capazes de colocarem 30 mil pessoas em frente ao palco, mesmo em um evento gratuito. Evidente que números não são determinantes para dizer se tal grupo é importante ou não, mas me parece um importante indício.

A banda sabe o que seu público quer, e não espera até o final da noite para lhe entregar. À abertura com a recente “Como se Sente” sucedeu-se “Independência”, “Natasha”, “Quatro Vezes Você”, todos clássicos do Capital. O set repleto de hits contagiou o público até o fim da apresentação, quando retirou-se exausto da esplanada após 19 canções.

Outro fator positivo foi a presença de Loro Jones, guitarrista do Capital até 2002, tocando “Fátima” com a banda. Sua presença aconteceu sem aviso, surpreendendo o público quando Dinho anunciou o seu nome.

Porém, nem tudo são flores. Confesso que foi a primeira vez que, como fã, saí decepcionado de um show do Capital, por duas razões: a primeira é a mania de, assim como outras bandas nacionais, não variarem o set. É inadmissível um grupo que possui no catálogo pérolas como “Todas As Noites”, “Kamikaze”, “Respirar Você”, “Eu Vou Estar” e “Tudo Que Vai” opte por apenas tocar as “maiores canções”. A ausência de variância não só desanima quem os acompanha há muito tempo como induz o público a não consumir o seu material – afinal de contas, por que comprar o CD se nos shows são sempre as mesmas canções?

O segundo fator foi a presença enorme de covers. Das 19 canções apresentadas, apenas 14 são do Capital, que completou seu set com “Que País É Esse?” (Legião Urbana), “Should I Stay or Should I Go?” (The Clash), “Whotta Lotta Love” (Led Zeppelin), “Mulher de Fases” (Raimundos) e “I Wanna Be Sedated” (Ramones), algumas escolhas incompreensíveis para uma banda com quase 30 anos de boas canções. Espaço precioso perdido, deixando assim de surpreender antigos e recentes fãs.

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