Patti Smith – Twelve (2007)

Patti Smith é uma destas figuras a quem precisamos chamar de artista porque seu projeto pessoal ultrapassa e muito as fronteiras da música. Estarei tratando aqui de um álbum ímpar em sua carreira – Twelve (2007), uma obra de 12 canções cover. Muitas delas, há que se dizer, tão boas ou melhores que as versões originais.  Mas não importa que tenham sido compostas, concebidas e cantadas por outros artistas – cada faixa ali é uma canção de Patti.

A voz marcante da cantora dá nova vida e transparência a Are You Experienced?, de Jimmy Hendrix  e emenda com a canção mais famosa do Tears For Fears, Everybody Wants to Rule the World em uma interpretação bastante passional e ainda mais bonita que a original. As duas faixas de abertura são seguidas por uma triste Helpless, de Neil Young, e Gimmie Shelter dos Rolling Stones – que cai, diga-se de passagem, como uma luva em sua voz enrouquecida. Within You Without You, um pouco negligenciada pelos Beatles, se transforma em canção de destaque (importante anotar como a voz da cantora lembra propositalmente a voz de Harrison nesta faixa).  Patti ainda faz covers de White Rabbit (Jefferson Airplane ), a excelente Changing of the Guards (Dylan), The Boy in the Bubble (Paul Simon) e Soul Kitchen (The Doors).  A parte final do álbum é um espetáculo a parte com uma versão linda de Smells Like Teen Spirit (Nirvana) que consegue ser sensacional mesmo não lembrando em quase nada a versão original, Midnight Rider (The Allman Brothers Band), Pastime Paradise (Stevie Wonder) e a lindíssima Everybody Hurts do R.E.M.

Twelve é, em alguma medida, uma espécie de “breve história da música ocidental no século XX”. Afinal, em que outro trabalho a combinação de Hendrix, Dylan, Tears For Fears, The Beatles, Neil Young, The Rolling Stones, Nirvana e outros faria tanto sentido?

É preciso, no entanto, dar a César o que é de César. Se Patti Smith entrega um trabalho vocal impecável, como já lhe é característico, sua banda nos presenteia com um trabalho instrumental de altíssimo nível cheia de clarinetes, acordeons, banjos, tambores além de outros instrumentos clássicos muito bem manejados.

Twelve é obra obrigatória na biblioteca musical de qualquer apaixonado por música, e também, devo dizer, dos apaixonados por sua história.

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