Coldplay – Mylo Xyloto (2011)

“Os fãs de hoje são os seus detratores de amanhã”. Essa frase foi postada no Twitter de Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas Roque Clube. Talvez ela possa soar estranha a determinadas pessoas, mas têm uma lógica, ao meu ver, correta: quanto mais envolvidos no catálogo de determinado artista/banda, mais nos tornamos críticos e exigentes em relação à mesma: antes de ser uma boa novidade, novas canções costumam ser hostis entrusas.

Explico de forma prática: quando conheci o Iron Maiden, ouvia tanto as canções clássicas como as novas. Todas estavam em um mesmo plano, sem precisar carregar pesadas expectativas. Resultado: enquanto o fã mais antigo venera os anos 80 e desdenha as canções mais recentes da banda, eu me fascino com canções como Dance of Death, de 2003..

Foram essas divagações que me fizeram retornar à “Mylo Xyloto”, último disco da banda britânica Coldplay. Havia me esforçado bastante pra gostar do álbum, sem obter nenhum sucesso. Mas o problema é que ouvia o disco com o pensamento voltado para 2004, quando “Clocks” me fascinava. Era um tempo em que ainda começava minhas descobertas relação à música, e apenas conhecia algumas canções de bandas que no futuro se tornariam minhas favoritas. Em 2005, um amigo me gravou um CD com as canções do álbum “X&Y”, mais alguma coisa dos dois discos anteriores, dando início assim ao meu amor confesso pela banda.

Aí veio “Viva La Vida or Death And All Of His Friends”, e a maciça popularidade da banda. Não que já não houvesse um frenesi antes, mas pela primeira vez já não precisava mostrar alguma música para terceiros saberem de quem se tratava. Quem não ouvia, agora era um fã compulsivo.

Era injusto analisar um álbum a partir de todo esse prisma. Era cobrar demais de canções que sequer tiveram a chance de se associar às minhas memórias afetivas. Assim, dei um tempo até recentemente, quando me propus a ouvir o álbum, pela primeira vez, pelo o que é.

“Mylo Xyloto”, como já é sabido, tem duas capas. A primeira carrega um estilo minimalista, semelhante aos primeiros álbuns. A segunda contém a extravagância de “Viva La Vida”, apesar da cores frias. O álbum possui um encarte de arte sobrecarregada, com rabiscos coloridos de lá pra cá. Assim como os demais discos do grupo, o encarte não contém as letras, algo estúpido na minha opinião, uma atitude bastante egoísta para com fãs de países não-falantes da língua inglesa.

A dobradinha que abre o álbum, “Mylo Xyloto”/”Hurts Like Heaven”, já apresenta a extravagância sonora que permeia todo o álbum, criando uma imagem colorida na cabeça do ouvinte. A melodia é “ok”, mas a mixagem a deixou fria. Talvez uma guitarra adicional ali no meio teria melhorado substancialmente a canção.

Apesar de aumentar o volume do rádio sempre que começa, Paradise possui uma abertura espetacular, e só . A canção têm uma estrutura monstruosa para uma melodia demasiada simples, que funcionaria bem mais em uma estrutura mais minimalista. É perfeita pra single, e seu sucesso estrondoso mostra isso, mas poderia ser melhor.

Contudo, a “última chance” também desmentiu algumas teses anteriormente formadas. Se Charlie Brown parecia uma boa ideia, mas de execução forçada, ela agora parece ser apenas uma boa ideia. Princess of China é um sopro de vivacidade no álbum, tanto pela sua estrutura totalmente não-convencional quanto pela lindíssima voz de Rihanna, que forma um contraste interessante com os – às vezes – inflexíveis tons de Chris Martin.

Talvez a melhor do CD seja “Major Minus”, o que denota certa ironia pois, se Mylo Xyloto foi considerado o álbum que mais afastou a banda das insistentes comparações com o U2, essa canção é puro U2 dos anos 90, com o seu clima barulhento e sombrio.

Ao final do álbum, a impressão que se têm é de que o Coldplay decidiu tomar de forma um tanto desajeitada um novo caminho na sua carreira. É um álbum que possui diversos erros, mas talvez cometidos em nome de uma ousadia… Dependendo do próximo lançamento, ese caminho pode amadurecer e render bons frutos… Ou apenas ser um desvio mal-calculado.

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One thought on “Coldplay – Mylo Xyloto (2011)

  1. Eu ia comentar pelo twitter, mas ia ficar maior do que os 140 caracteres.
    Eu concordo que o álbum, no geral, é bem diferente do que o Coldplay nos acostumou ao longo dos anos.Mas eu vejo ele mais como uma continuação conceitual do Viva La Vida, e nesse sentido o som evoluiu – e muito.
    Quanto as músicas, dois pontos:
    -Paradise, Major Minus e Charlie Brown são as melhores, sem dúvidas.A primeira é sensacional.
    -Princess of China eu particularmente acho estranhíssima.Nunca gostei do Coldplay fazendo duetos.
    No mais, espero que o próximo álbum seja tão bom quanto o A Rush of Blood to the Head, que é, sem dúvidas, o melhor deles.

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