Noel Gallagher no Festival Coachella, 14/4/12

Ao longo desse final de semana, realizou-se na califórnia três dias repletos de shows no Festival Coachella. Dezenas de bandas se apresentaram, dentre elas Florence + The Machine, Kasabian e Radiohead. Esse blog assistiu, via streaming (oferecido pelo ótimo Oasis News) apenas a performance de “Noel Gallagher’s High Flying Birds”, banda solo do principal compositor de sua antiga banda Oasis (encerrada no backstage de um show em Paris em 2009).

O show em questão é particularmente interessante devido à proximidade da sua visita ao Brasil, com shows em São paulo e Rio, dias 2 e 5 de maio, respectivamente. Sua fórmula de festival, com um curto set de apenas doze canções em uma hora de performance, pode servir como um aperitivo do que esperar de um músico de carreira veterana, porém com ar de iniciante.

O primeiro aspecto digno de nota é o comportamento de Noel como frontman, deslocado à frente da banda, com a função de ser o porta voz, o link de interação entre banda e público. Noel pareceu bastante tímido em toda a apresentação se comunicou pouco com o público.

Quando o fez, perguntou: “estão gostando do show?”. Ao ouvir a resposta, comentou: “vocês não falariam caso não estivessem gostando, né? Provavelmente não”. Eis um clássico comportamento dos irmãos Gallagher, esse tipo de interação que ao mesmo tempo provoca fascínio por alguns e desprezo por outros. Talvez o comentário tenha tido certa intenção humorística mas, caso seja esse o caso, confesso que não percebi.

Contudo, Noel parece estar mais relaxado no palco. Em vários vídeos das últimas apresentações do Oasis, via-se um guitarrista à esquerda do palco, com uma expressão carrancuda, e pouquísisma interação entre a banda. Aqui, em diversas seções instrumentais, Noel olhava para seus músicos, se virava em direção à bateria, jogava seus ombros de lá pra cá de forma discreta… É a primeira vez em muito tempo que o vejo permitir-se se levar pela energia do momento, mesmo que de forma sutil.

O set foi dividido entre canções de seu excelente álbum solo e canções do Oasis. O curioso é que, por não ter sido o vocalista principal naquela banda, a escolha da segunda metade possui uma flexibilidade a princípio não esperada, com seleções nem um pouco óbvias como “It’s Good (to be free)”, “Mucky Fingers”, “Talk Tonight” e “Half The World Away”. Da comissão de frente de hits do Oasis, apenas “Little By Little” e “Don’t Look Back In Anger” dão as caras (no set regular, “Supersonic” e “The Importance of Being Idle” também aparecem).

Do seu material solo, o destaque foi para a inspirada “If I Had a Gun”, canção que recebeu muitos aplausos em seus riffs iniciais, mostrando que Noel vêm conseguindo obter certo impacto fora de sua banda.

Ao final de sua apresentação, fica a impressão de que Noel não possui nenhuma inibição em explorar o catálogo da sua ex-banda, mas têm conseguido formar uma base sólida com o seu material solo. E que, em se tratando de um compositor com esse talento, pode ser interessante imaginar que tipo de rasantes um pássaro sozinho pode realizar.

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