Canções Notáveis – “O Pulso”, Titãs (1989)

Algumas pessoas costumam dizer que a alma criativa dos Titãs atendia pelo nome de Arnaldo Antunes. Não sei se concordo com a ideia, pois o que transformou o grupo paulistano numa das mais notáveis bandas brasileiras dos anos 80 (rivalizando no topo em popularidade com os Paralamas do Sucesso até aparecer o “furacão” Legião Urbana) foi o misto de diversidade criadora de uma banda com oito integrantes amparada por uma imagem de rebeldia e agressividade que ajudava a amarrar todas essas tendências. Muitos críticos da atual fase da banda afirmam inclusive que a debandada de tantos bons compositores prejudicaram a situação dos que ficaram.

Independente dos debates, certamente a maior marca de Arnaldo nos Titãs foi “O Pulso”. A canção é de 1989, apagar das luzes dos anos 90, e faz parte do álbum”Õ Blésq Blom”, sucessor do excelente (e obra-prima da banda para alguns) “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas”.

“O Pulso” tem um quê de composição concreta, devido à sua sugestiva letra, com riffs de guitarras espaçados, daqueles que enchem um ambiente, ainda que breves. Seu tom tem um quê de fantasmagórico e misterioso, uma ambientação sinistra encaixada em uma estrutura pop. A canção começa com uma batida eletrônica que sugere um pulso, que serve de estrutura para toda a canção. Na sua letra, apenas nomes de doenças nas estrofes:

“Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia
Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania
E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco
Assim…”

Sobre o que a canção fala? Acerca da quantidade de males a que estamos submetidos todos os dias? O que é tão forte que corpo ainda é pouco para aguentar? ou o sentido da canção é simplesmente ser uma colagem? Como “estupidez” se encaixaria como doença? Quem sabe um tia terei a resposta.

A canção talvez tenha sido a última notável contribuição de Arnaldo para a obra dos Titãs. O vocalista deixaria a banda cerca de dois anos depois, após o lançamento do criticado “Tudo ao Mesmo Tempo Agora” (1991), e têm feito uma interessante carreira solo desde então.

Embora não costume estar presente no primeiro lote de hits dos Titãs, “O Pulso” até hoje é vista como a grande marca de Arnaldo nos Titãs. Um notável clássico de uma das maiores bandas brasileiras dos anos 80.

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