Thirteenth Step – Parte 2

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Para ler a parte 1 deste post você pode ler aqui: https://jornadadoremifa.wordpress.com/2012/04/10/thirteenth-step-parte-1-2/

The Outsider – De maneira irônica, a canção mais destoante do álbum, tanto pelo instrumental quanto pelo tema. Uma música pesada – favorita de 9 entre 10 fãs – e um discurso sobre suicídio. A primeira do CD a não fazer referência ao vício em álcool ou drogas, mas que me atentou para o fato de que talvez a intenção aqui seja equiparar o status de potenciais suicidas com o de viciados – o que faz sentido quando se pensa sobre esta dialética mesmo que brevemente. Aqui, novamente, a canção é protagonizada por alguém que assiste de fora, e não pelo paciente em si. O instrumental é o menos experimental do álbum, e em nenhuma outra seção a voz de Keenan soa tão brutal. What’s your rush? Everyone will have his day to die.

Crimes – A percussão poderosa e o solo exótico não deixam dúvidas: The Outsider foi apenas um parêntese e a progressividade característica do álbum está de volta. Uma canção instrumental de transição.

The Nurse Who Loved Me – Aqui temos, pela primeira vez, um internado como orador. Novamente uma canção cínica. O paciente se apaixona por sua enfermeira, que, segundo a música, tem tudo de que ele precisa – remédios. Entre as fantasias do paciente está a de que os dois estão apaixonados e se casarão quando ele sair dali. A música lembra muito uma canção de ninar, o que, a meu ver, reitera a sensação de irrealidade e de falta de agência do protagonista.

Pet/Lullaby – A canção que eu mais esperava comentar. Uma das melhores da banda. A percussão começa de maneira insana – é daquelas que você se assusta se estiver ouvindo com fones. O instrumental é um espetáculo a parte, mas aqui estamos tratando do auge de qualidade lírica do grupo (sendo equiparada apenas pela última canção do álbum). É curioso que sempre imaginei que esta fosse uma canção sobre guerra, e sempre achei que estivesse meio deslocada neste sentido. Foi então que li um depoimento na internet de um jovem que dizia que entendia por que as pessoas achavam esta uma canção difícil de interpretar, mas que ele, como ex-viciado, via de forma clara que aquela era uma música onde o protagonismo caia sobre a própria droga. Tudo pareceu subitamente claro: é a droga quem fala aqui para seu “animalzinho” (Pet). Acho que este trecho deixa poucas dúvidas quanto à interpretação sugerida: They don’t care about you, like I do. Safe from pain, and truth, and choice, and other poison devils.
See? They don’t give a fuck about you, like I do.
Lullaby é, sem dúvida, apenas um instrumental onírico e complementar da obra-prima que é Pet.

Gravity – A melhor canção do álbum. E confesso que me sinto satisfeita quando uma banda sucede em encerrar um trabalho com uma amostra de seu potencial e qualidade, deixando no ouvinte a sensação de que é muito cedo para concluir aquela obra. Um instrumental sombrio, como o da maioria das canções, e uma letra que se inicia bastante pessimista versando sobre a dificuldade de “encontrar um caminho” e de “deixar as coisas para trás”. Mais uma vez uma referência a um dos passos do programa: o de entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que o concebamos. I am surrendering to the gravity and the unknown. Esta é sem dúvida, uma das minhas canções favoritas entre todas as muitas que já ouvi na vida. E, ao contrário do que se esperaria encontrar em um trabalho do APC, a sua mensagem se transforma em um discurso de engajamento e de agência – de admitir que outras escolhas podem ser feitas.

I am surrendering to the gravity and the unknown. Catch me, heal me, lift me back up to the sun. I choose to live.

Costumo terminar de ouvir este álbum legitimamente emocionada. O lirismo de Gravity e a voz de Keenan alcançam uma sensibilidade que poucas canções conseguem. É o final perfeito para um álbum com pouquíssimas falhas.

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