Thirteenth Step – Parte 1

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Em Thirteenth Step (2003) é o vício que dá o tom e que perpassa horizontalmente toda esta obra do A Perfect Circle, a começar pelo nome: referência ao tradicional programa de reabilitação de 12 passos usado para tratar principalmente dependentes de álcool e drogas. Como optei por analisar cada uma das também 12 canções, dividirei este post em 2 partes.

The Package – A canção de abertura começa com um delicado solo acompanhado de uma percussão pesada de tambores. Em poucos minutos a voz doce de Keenan introduz a letra intrincada do que acredito ser um eu-lírico inquieto e beirando o desespero – disposto a mentir, como diz a letra, para obter algo que deseja com ímpeto quase luxurioso. A medida em que a música avança o vocal e o instrumental se tornam mais violentos até morrerem em uma espécie de sussurro – de derrota. Sempre imaginei o lugar de quem fala como o de um viciado em drogas, até mesmo por ser este o tema central do trabalho, mas outras interpretações são possíveis.

Weak and Powerless – Esta é uma canção que dialoga de maneira mais clara com o primeiro passo do programa de reabilitação: a admissão de sua impotência. O instrumental mantém a qualidade característica do APC, mas só se mostra realmente poderosa da metade para o fim fazendo com que, pessoalmente, me pareça a música menos destacável do álbum.

The Noose – Provavelmente uma das melhores canções do CD. Desta vez temos uma inversão de papéis – não é o viciado quem fala, mas alguém da família ou um amigo que o está recebendo de volta após a reabilitação. A letra é de um cinismo venenoso na medida em que o protagonista não se conforma com a imagem de “santo” que seu amigo recém chegado vende a todos, desejando, ao fim da canção, pegar “sua auréola e enforcá-lo”. Sempre acreditei que esta música aludisse ao vício em álcool, e que o dependente ao qual se refere tenha se envolvido em algum tipo de acidente com vítimas fatais. A letra dá fortes indícios deste cenário, e não é incomum que acidentes, fatais ou não, sejam o ponto de partida para que as pessoas admitam seu problema e iniciem um tratamento.

Blue/Vanishing – Uma canção sobre negação – um tema que é recorrente no discurso de ex-viciados. No entanto, acredito que pode tanto ser entendida do ponto de vista de um dependente quanto do de algum parente que assiste a sua destruição e continua a negar que há um problema. Seu instrumental emenda com o de Vanishing. Como Weak and Powerless, estas duas canções acabam submersas entre canções de maior qualidade.

A Stranger – A Stranger abre com um bonito instrumental de cordas e a voz delicada de Keenan, e pouco se altera em seus aproximados quatro minutos. Duas teorias correntes entre os apreciadores da banda são as de que se trata ou de uma canção sobre estar envolvido emocionalmente com um dependente, ou de que se refere ao despertar do viciado para o fato de que precisa de ajuda. Independentemente de seu tema, A Stranger requer muitas ouvidas para que se possa perceber que é, na verdade, uma versão mais delicada da melodia de The Package.

A segunda parte com a análise do restante das canções você pode ler aqui: https://jornadadoremifa.wordpress.com/2012/04/10/thirteenth-step-parte-2-2-2/

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