Foo Fighters no Lollapalooza, – 7/4/12 (da TV)

É verdade que assisti ao show pela TV, desconhecendo assim diversas nuâncias que só quem esteve lá pôde perceber. Ciente dessas dificuldades, vou tentar me ater ao máximo à performance, e vamos ver no que dá.

Ao lado do Artic Monkeys, eles eram a atração principal de um festival que, apesar da cara indie, nesse final de semana em São Paulo apresentou um line-up que vai do hard rock setentista ao eletrônico, dando um pitaco de variedade que, para ser sincero, não esperava. Diria que, mais do que o Artic, a banda de David Grohl e companhia era a mais ansiosamente aguardada atração do festival. Na última vez que o grupo se apresentou no Brasil – 17 longos anos atrás – a banda possuía apenas um disco, formado por um conjunto de demos de um David Grohl cheio de incertezas após o suicídio de seu ex-colega de banda e a obscuridade do futuro de sua carreira. Naquela vez, o Foo Fighters era uma promessa, uma ideia de recomeço. Nesse final de semana, desembarcaram como gigantes.

O peso da banda se deve não somente a uma consistente carreira, com consistentes álbuns, mas também ao gigantesco sucesso de seu registro mais recente, “Wasting Light” (2011), e o grande destaque à banda dado no último Grammy Awards, perdendo apenas a categoria que disputou com uma tal de Adele. Por mais que hoje questionemos a relevância da academia atualmente, é inegável que, de tempos em tempos, eles costumam coroar determinadas bandas que acertam a mão, seja por um reflexo da popularidade das mesmas, seja para se aproveitar dessa para conseguir audiência. E é nesse tipo de divulgação que bandas ocupam as vitrines, ganhando mais fãs e frenesi em torno de suas figuras. Some a esse frenesi as capas das revistas de músicas e o bombardeio de notícias nos sites especializados, e você tem um grande evento.

E que evento! Ao longo de mais de duas horas, o FF apresentou um show intenso, quente, pesado, com leves intervalos com canções mais cadenciadas, antes de recomeçar o calor novamente. Se talvez o público não tenha sido tão caloroso como foi na Argentina (aliás, os argentinos quase sempre são insuperáveis em questão de coro e público participativo), em compensação entoou quase todas as canções junto com a desgastada voz de Dave. O número de compromissos de fato tem causado visíveis repercussões na voz do vocalista, que quase sempre desafinava e falhava em alcançar notas mais altas. Em “Best of You”, um dos números do repertório que mais exigiu da voz, a performance foi preocupante.

Se a voz mal conseguia aguentar o show, Dave compensou no espírito e na performance. O cara não parou quieto o show inteiro, correndo de lá pra cá, abraçando bandeiras do Brasil, sorrindo todo o tempo, se aproximando do público enlouquecido da passarela… Tenho certeza de que, no momento em que percebeu que não era mais filmado no backstage, ele deve ter desabado. Há tempos não vejo alguém despejar tanta energia no palco. E esse é o bom do rock’n roll, pois não é necessário ter uma boa voz ou erudição. Parafraseando o já famoso discurso do mesmo na cerimônia do Grammy, é o “elemento humano” que faz as coisas acontecerem.

O repertório do show – tendo como base os álbuns Wasting Light (2011) e The Colour And The Shape (1997) – teve aquela estrutura de show de festival, com todos os hits, com cada álbum representado por, ao menos, duas canções. Considerando os tais 17 anos, não poderia ser de outro jeito. Contudo, houveram surpresas bastante agradáveis, como os covers de “In The Flesh?” do Pink Floyd (cantada pelo carismático baterista Taylor Hawkins), “Bad Reputation” e “I Love Rock’n Roll”, com Joan Jett – que há poucas horas havia encerrado uma brilhante apresentação em outro palco, mas sabotada pela proximidade do horário com o show principal da noite… Uma absurdo da organização do festival – no palco. O show assim possuiu toques de extraordinário tanto para um público rejuvenescido tanto para uma banda que claramente estava maravilhada em se apresentar ali.

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